Postagens

COLARES

Colares       Beleza de encantar Perfume para sonhar Vinho para saborear Debruçada nas varandas A ver a serra e o mar.   Na Várzea, sentada a namorar Embalada pelo rio a passar E, o eléctrico a transbordar De gente, de todo o mundo, a admirar Os monumentos, que a serra encerra.   O mar no azul a rebentar A praia a abarrotar Com o sol no altar A serra e Sintra enfeitadas com Colares.           José Silva Costa    

A Guerra em directo

A Guerra em Directo   A Primavera não trouxe flores A guerra só traz horrores As crianças gemem de dores As guerras são tumores.   As bombas nos televisores, As crianças jazem, sem dores. Os hospitais não têm dadores, Os aviões são vampiros voadores.   A câmara de filmar ensanguentada, O operador jaze morto, na estrada. A memória para sempre arrepiada Pela imagem, na televisão, passada.   A mãe beija a filha, que está magoada A criança abre os olhos, de assustada É a morte, pelo avião, anunciada, Foi o míssil, disparado, na madrugada.   O sangue corre pela estrada Na guerra a vida não vale nada Só, a morte merece ser louvada A guerra é, sempre, uma via desastrada.           José Silva Costa                      

Zibia e Sara

Na triste madrugada Zibia e Sara levadas pela enxurrada Numa ribeira murada Sem leito, nem margens Só lhe restava a estrada A ribeira corria magoada No aperto, apertada, galgou a estrada. As irmãs estavam excitadas No primeiro dia não podiam chegar atrasadas As crianças ficaram deitadas NUnca mais, pelas mâes,serão embaladas.     José Silva Costa  

Cheias

Cheias   Na triste madrugada Zibia e Sara levadas pela enxurrada Na estrada inundada Corria uma ribeira murada Sem leito, nem margens Só lhe restava a estrada A ribeira corria magoada No aperto, apertada, galgou a estrada As irmãs estavam excitadas No primeiro dia não podiam chegar atrasadas Pagaram com as suas vidas A ganância, a corrupção, a desenfreada construção Autorizada nos leitos dos rios Quem responde por sucessivas calamidades? Deixaram cinco órfãos Que triste sorte A chuva trouxe a morte Mais uma vez, e outra, e outra Não temos emenda Continuamos a votar em corruptos Para presidentes de Câmara, e não só.   José Silva Costa

O Mundo

O Mundo, visto de longe, parece um poema a embeber os olhares. Cabe todo nas nossas mãos, bem como o azul suave da doce tranquilidade. Mas ao abri-las arrepiamo-nos, por vermos como o maquilham, para nos entreter, enquanto utilizam, todo o saber, para o adoecer. Brotam chispas, dos olhos dos homens, As lágrimas rasgam rios nos rostos, Que queimam até a frescura das fontes. Nas paisagens, que antes eram luxuriantes, Agora o medo é todo preto, Os homens abandonam o corpo corrosivo. As almas, envoltas em nuvens de fumo, sobem ao paraíso, Deixam, em terra, mensagens digitalizadas à massa cinzenta globalizada Perguntando à razão, o que leva mentes doentes, a incendiarem as florestas. Num mundo com o sol da cor da fome, Barcos com veias nas velas, sem mares por navegar, não chegam a largar. A terra, com as entranhas a arderem, procura a todo o custo proteger O ventre, onde guarda os grãos de amor, prontos a florir. Há um rumor de vida, parecem humanos, no seu aspecto são índios, sem tecto Qu...

O desgoverno dos governos

Em cada ano que termina, contentamo-nos a desejar que o próximo seja melhor. Temos de exigir que o fosso entre ricos e pobres diminua, que não sejam, só, os mais pobres a contribuírem para a redução do défice, sem actualização dos vencimentos, ou com aumentos abaixo da inflação. Para o ano os partidos vão ver a sua subvenção aumentada cerca de seis por cento, muito acima da inflação esperada. Uma vez que recebem uma percentagem sobre os votos expressos. Proponho que, nas próximas eleições, votemos todos em branco, para que esses senhores também conheçam o sabor da redução dos rendimentos, e, assim se apercebam de que não nos enganam com a propaganda de que vivemos no paraíso. Uns prometeram reduzir o número de deputados, os outros acabar com os Governadores Civis e baixar os impostos. Temos os mesmos deputados que tínhamos antes de termos mais umas dezenas em Estrasburgo, os Governadores Civis não desapareceram e os impostos subiram. Se não nos unirmos, se não formos capazes de lhes da...

O Natal

Rodízio, 5/12/2007   O Natal     Para a tirania dos números Para o vazio do virtual Para a aridez deste Natal Não pendure na árvore Prendas compradas com o vil metal Encha-a com o calor do amor E viva todo o ano por igual.     José Silva Costa