O Império
Para o mês que vem, estas teias serão publicadas em:
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O Império - As teias que o Império teceu
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Luanda desaguou no cais, todos se queriam despedir da Milay e do Afonso, os pais dos dois jovens, lavados em lágrimas, conversavam com o comandante das caravelas, pedindo-lhe proteção para os seus filhos, que tanto lhes custava perdê-los de vista, ele tentava garantir-lhes de que tudo correria bem
Mas, nestas circunstâncias, não existem palavras que consigam tranquilizar os pais, nem mesmo os que já tinham percorrido aquelas andanças, como era o caso do Roberto e da Marina
Sabiam bem como era a Metrópole, um suplício para ir de Lisboa para Coimbra, ou qualquer outro ponto do país, mesmo que tivesse melhorado qualquer coisa, em tão poucos anos, não seria nada de mais, ao longo dos muitos séculos vai-se arrastando, como eles, sem grandes progressos, como que esmagado pelos descobrimentos, altura em que mandou no mundo
Agarrou-se a esse poder, com unhas e dentes, na esperança de nunca o perder, glorificou essa glória, como se conseguisse parar a história. Mas, os povos são como os alcatruzes das noras, enquanto uns sobem os outros descem, e é isso que se passa, hoje, connosco, estamos na mó de baixo, bebendo o fel, que tanto obrigámos os outros a beberem
Aina há menos de um século, nas ruas de Macau, os chineses mudavam de passeio, para darem passagem ao soldado português. Agora, fomos nós, que do alto da nossa vaidade lhes vendemos as joias da Coroa, lhes compramos tudo o que necessitamos e lhes pedimos, encarecidamente, que não nos abandonem
Com a mania das grandezas, passámos a viver acima das nossas possibilidades, sempre de mão estendida à espera de uma esmola. Mas, como já ninguém dá nada a ninguém, vamos, todos os dias, com a cesta enfiada no braço, pedir emprestado, para continuarmos a comer fiado, já foi muito mais, a nossa dívida, mas ainda anda à volta dos cem por cento, o que diz bem da nossa falta de brio
Não nos importamos de continuar a gastar o que não temos, deixando para filhos e netos o pagamento das nossas vaidades, não nos importando de gastar muito dinheiro em festas e festarolas, tudo abençoado pelos políticos, para que os mais pobres se esqueçam das grandes desigualdades, das grandes dificuldades em que vivem
A Milay e o Afonso estavam a gostar da aventura, faz parte da juventude, testarmos os nossos limites, mas quando as tempestades enfrentaram as caravelas, tudo mudou de figura, temeram pelas suas vidas, e o que até ali tinha sido uma inesquecível experiência, tornou-se num pesadelo, que parecia não ter fim.
Continua
Quando cá chegarem vão deparar com autoestrada de Lisboa para Coimbra. Mas vão ter a triste surpresa do preço da gasolina...
ResponderExcluirUm abraço caro Amigo.
Quando os eleitores elegem incompetentes, para os governarem, dá nisto.
ExcluirBom dia caro Amigo.
Um abraço.
bom dia, querido José :)
ResponderExcluirse são teias de açúcar, já cá estou caro amigo. este capítulo devia ter um subtítulo: "máquina do tempo"
são reflexões históricas interessantes, gostei. beijinho e boa semana
Boa noite, querida Ana.
ExcluirMuito obrigado pelas amáveis palavras.
Beijinho e bom resto de semana.
As teias são as voltas enormes que a vida dá, umas vezes por culpa própria outras nem por isso. Nem sempre controlamos o que queremos.
ResponderExcluirA vida tem muitas condicionantes e, como muito bem diz, nem sempre as controlamos.
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