O Império

O Império    -     As teias que o Império teceu

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São Salvador do Congo recebeu com muito agrado, tanto a criação da Cooperativa, como a Escola da Francelina. O jovem casal, Francisca e Asdrubal, ele natural da cidade e ela de Luanda, foi muito acarinhado por todos, fazendo com que a sua iniciativa estivesse a ter uma grande adesão

O Zico, como presidente da Cooperativa dos povos de Luanda, acompanhou-os durante alguns dias, para ajudar a explicar as vantagens de se fazerem sócios da agremiação, dizendo que todos juntos eram mais fortes, como já sabiam. Mas era mais do que isso, era uma maneira de se ajudarem uns aos outros, para que nenhum ficasse sozinho 

Também o Roberto acompanhou a Francelina nos seus primeiros dias de contacto com os habitantes de São Salvador do Congo. Mas neste caso a estrela era ela: jovem, inteligente, bonita, muito comunicativa, a todos prendia, e todos a queriam ouvir, fazendo-o com muita atenção

Foi um fenómeno nunca visto: uma cidade parada, para ouvi-la, com uma alegria estonteante, contagiava toda a gente, conseguindo deitar à terra a semente de querer saber, de querer perguntar, de querer fazer, de o mundo entender

O Roberto estava felicíssimo, não podia ter feito melhor escolha, a sua discípula estava a fazer furor, mostrava que era capaz de ombrear com o mestre, talvez o ultrapassasse na mestria de cativar a plateia, mas nunca em conhecimento

Estavam lançadas à terra, em São Salvador do Congo, as duas sementes, que iriam modificar a cidade, como acontecera em Luanda

 O Roberto e o Zico, depois de apoiarem a turma da Francelina e a criação da Cooperativa de São Salvador do Congo, respetivamente, regressaram a Luanda, onde se esperava que aportassem, a qualquer momento, as naus da carreira da Índia, vindas de Goa, e que levariam, para a Metrópole, a Milay e o Afonso a fim de continuarem, em Coimbra, os seus estudos

A Mité e o Leopoldo estavam muito orgulhosos por a filha ir para Coimbra, mas ao mesmo tempo muito tristes por ficarem sem a filha, temendo que ela não voltasse, ainda que a Marina e o Roberto os acalmassem, dizendo que também eles para lá tinham ido e tinham voltado, mais preparados, para ajudarem os seus conterrâneos

Mas, o casal dizia que era diferente, eles namoravam-se. Eram um casal, enquanto a filha deles, apenas, tinha o apoio do primo, fosse como fosse, ela ira seguir o seu caminho, era o seu futuro que estava em causa, até por que os filhos são como os pássaros: quando sabem bater as asas, deixam o ninho

O Afonso, que muito tinha falado com os seus pais sobre a sua permanência, em Coimbra, porque queria tentar encontrar quem se tivesse cruzados com eles, para informar os pais sobre essas pessoas, algumas, que muito os ajudaram.

Continua

 

Comentários

  1. Bom dia:- Elogiável inspiração. Devia ser transferido para uma novelas a apresentar na TV. Parabéns.
    .
    Saudações poéticas
    .

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    1. Boa tarde.
      Muito obrigado pelas amáveis palavras.
      Cumprimentos.

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  2. boa tarde, querido amigo José
    que bom, que bom, que bom! vamos ter notícias do casal velhinho que tanto os acarinhou que se tornaram família. Coimbra tem muitos encantos :) é tão sábio fazer as cooperativas em vários pontos de Angola. parabéns pela criatividade, amigo querido. estou a adorar!
    beijo e feliz final de semana

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    1. Boa noite, querida amiga Ana.
      Muito obrigado pelas amáveis palavras, que todas as semanas me dedicas.
      Bom fim-de semana.
      Um beijo.

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  3. Reviver o passado deveria ajudar-nos a melhorar o futuro, em especial dos jovens que hoje parecem muito alheados da união em torno de boas causas.

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    1. Tudo fruto dos incentivos à individualidade, que tem feito com que percam a noção de que a unidade faz a força .

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