O Império

O Império      -       As teias que o Império teceu

167

As caravelas, da carreira da Índia, tinham enfrentado grandes tempestades no Índico, tinham chegado a Goa muito mal tratadas, ficaram muitos dias nos estaleiros até terem ficado reparadas, em Angola, o atraso estava a provocar mal-estar, ansiedade entre os estudantes e  os seus familiares,  porque começavam a interrogar-se sobre tão grande demora no regresso, logo, na altura em que a Milay e o Afonso seguiriam, nelas, para a Metrópole

Cada época vive ao seu ritmo, todos sabiam que era através das caravelas, com aqueles que as pilotavam ou nelas viajavam, que poderiam contar para saberem das notícias e novidades dos três Continentes, por elas ligados

Por isso, era com ansiedade e expectativa que as recebiam em todos os portos, na esperança de boas notícias, boas decisões dos Reis, que condicionavam as vidas de muitos dos que garantiam o funcionamento do Império, espalhados por muitas latitudes e longitudes

Num Império tão disperso, não faltava quem se queixasse de que as leis nem sempre eram cumpridas nem bem aplicadas. Mas, quase todos concordavam que nada serviria reclamarem, porque dificilmente os seus protestos chegariam aos ouvidos do Rei

Este, como todos os Impérios foram cimentados na força e na violência, sem elas, seria muito difícil uma minoria se impor a uma maioria, que não lhe entregaria de mão beijada o seu destino

Em São Salvador do Congo a vida estava a mudar, a pouco-e-pouco, o entusiasmo da criação da Cooperativa e o avolumar da turma da Francelina estavam na boca de toda a gente, ninguém lhes ficava indiferente

O rapaz que ambicionava ser o companheiro da Francelina não a perdia de vista, todos os dias era o primeiro a segui-la e estava sempre na primeira fila, para questioná-la, tentando mostrar que a sua sabedoria estava à altura da dela, por mais que os olhos o quisessem ignorar, o corpo não o conseguia fazer

Por muito que não se quisesse, por enquanto, enredar em paixões amorosas, parecia estar condenada, pelo seu corpo, a falar com o Tobias sobre as suas intenções para um relacionamento amoroso

Uma vez que o seu corpo se recusava a ignorá-lo, aceitava que fossem bons amigos e que colaborassem na liderança do movimento, que abraçava tanta gente

Respondeu-lhe que aceitava com humildade e alegria, beber de perto a sua sabedoria, porque tudo o que queria era estar a seu lado, saborear o seu perfume e descansar o olhar na sua formusura

Nos dias seguintes, com os dois lado a lado, como era de esperar, a turma continuo a aumentar, com muita curiosidade, para ouvirem, também, o Tobias a discursar.

Continua

 

 

 

 

Comentários

  1. As caravelas estão já quase no fim da sua longa viagem on sapal, caro Amigo.
    Boa 5.ª feira. Um abraço

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. As caravelas estão quase a mudar de oceano. Mas, para o outro onde irão, parece nem haver ondulação.
      Um abraço.

      Excluir
  2. olá querido José, (boas notícias! hoje é o meu aniversário)
    este capítulo reúne aventuras de tantos mares. está espectacular!
    estás de parabéns. que bom que as naus chegaram à ìndia para poderem ser consertadas. obrigada por mais um momento de aconchego
    beijinho e feliz final-de-semana

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muitos parabéns, querida amiga Ana, que contes muitos e bons, com saúde e alegria.
      Feliz resto de dia e bom fim-de-semana.
      Um beijinho.

      Excluir
    2. bom dia, querido amigo José :)
      obrigada pelos bons votos
      beijinho e feliz semana

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Lua Cheia

A candeia!