O Império
O Império - As teias que o Império teceu
159
O novo Governador de Angola, o Xavier, tinha ficado encantado com as aulas do Roberto. Assim, sempre que podia, ia assistir às aulas abertas, como as tinha classificado, por não terem um local certo e todos poderem participar, fosse qual fosse a sua idade
Isto, para ele, era uma grande inovação, que tinha de ser continuamente acompanhada para poder avaliar o seu resultado. Mas, pela grande adesão ao novo método de ensinar, mais tarde ou mais cedo teria de concluir que era um êxito
Todos os dias, uma multidão seguia-o, não seriam, sempre, os mesmos, mas sentia-se que havia uma grande vontade de aprender a ler e escrever: fosse para mostrar que sabiam fazer o seu nome, que o podiam desenhar num bocado de madeira, como faziam quando esculpiam uma mulher ou um homem
Ao longo dos séculos, todos os povos procuraram aprender, saber cada vez mais, porque saber foi e será sempre poder, satisfação, realização, plenitude
Saber ler e escrever, a possibilidade de ler um jornal, um livro, escrever uma carta ou um poema, à namorada, ao namorado, não depender de outra pessoa, para lhe escrever ou ler uma carta, é como que entrar num lugar, que nos estava vedado, por não sabermos ler, nem escrever
O Xavier, que bem sabia, como no Reino havia tantos analfabetos que, nas classes mais desfavorecidas, encontrar quem soubesse ler e escrever, era como encontrar uma agulha num palheiro, gastava muito do seu tempo observando a multidão, que seguia o Roberto, o seu contentamento, todo aquele movimento encantador, para tentar encontrar a justificação para tamanha adesão às suas aulas
Era nesses momentos que, nas suas divagações, que se lembrava dos dois jovens, que tanto queriam ir estudar, para Coimbra, tentando adivinhar qual seria a decisão do Rei, persentindo que o seu pedido seria atendido, o que, por momentos, lhe aquecia o coração
Também o Renato, desde que o filho e a sobrinha tinham sido indicados para estudarem na Universidade, se lembrava mais vezes dos bons tempos que tinha passado, com a Marina, sua esposa, na cidade dos estudantes, onde ambos estudavam e nasceu o Afonso, que se tudo corresse bem, iria estudar na Universidade da sua cidade natal
O Governador de Angola era um grande entusiasta do Império, para ele, era admirável ver tantos povos num só Reino, orgulhosos da mesma bandeira, uma língua falada na terra inteira, a mesma religião, a maior e mais bela nação, banhada por todos os mares, onde não faltavam altares.
Continua
Novas moradas:
https://sociedadeperfeita-cheia.blogspot.com/
https://osdesgovernados.blogspot.com
José Silva Costa
boa noite, querido amigo José
ResponderExcluirhoje passei algumas horas a tentar desbloquear palavras-passe ugh! esta ainda lembro, são as m sinto coimbras vejo-me na Univerais recentes que esqueço. o Renato e a Marina disfarçada de homem é a aventura mais recente que me lembro. tu consegues que as palavras nos transportem para diferentes lugares. quando penso nestes dois pioneiros lembro "os avós" carinhosos que a Vida lhes reservou. adoro as voltas que dás aos capítulos e eu faço de claque. um bejinho e dias felizes
*são as mais antigas
Excluir*Universidades
*é a aventura mais antiga que me lembro
Boa tarde, querida amiga Ana.
ExcluirNão sei como agradecer-te o entusiasmos por esta teias. Muito obrigado.
Também te desejo dias felizes.
Um beijinho.
Um dos meus sonhos era ter chegado à Universidade e ter estudado em Coimbra.
ExcluirBeijinhos.
querido amigo nunca é tarde. mantém a fasquia razoável, faz duas disciplinas por ano. há muitos benefícios em relação à idade. telefona para a Secretaria e esclarece todas as dúvidas. força Amigo José
Excluirhá bolsas a que podes concorrer
* duas disciplinas por semestre
ExcluirMuito obrigado, pelas tuas palavras de encorajamento. Mas, não há nada que me faça voltar a estudar, para além da idade, dos sacrifícios que teria de fazer, tenho de fazer companhia à minha mulher.
Excluircompreendo! e é muito bonito querer fazer companhia à sua esposa
ExcluirIndependentemente da publicação que amei ver e ler, passo a fim de desejar uma PÁSCOA muito feliz, se possível, junto de quem mais ama.
ResponderExcluir.
.
Muito obrigado. Também lhe desejo uma Páscoa muito feliz, bem como para todos os seus.
ExcluirE pensar eu que foi isso que me ensinaram , a importância de saber ler e escrever, podermos falar com outra pessoa à distância de uma carta, sem precisarmos de quem a lesse por nós e, quiçá, a interpretasse de forma diferente.
ResponderExcluirE observar eu hoje, numa alura em que sabemos ler e escrever (nem sempre interpretar e compreender) que podemos ter a nossa privacidade e liberdade como o maior bem, há quem se exponha de forma leviana e gratuita, com o objectivo de colher, imaginem - Amigos!
Hoje, põe-se a vida em perigo, para tirar uma fotografia, que mereça a admiração dos seguidores, que são muito diferentes dos Amigos.
ExcluirA nossa privacidade está cada vez mais ameaçada, não devemos expô-la, para que não nos venhamos a arrepender.