As palavras

As palavras


 


As palavras andam de boca em boca, à procura do amor


São muitas, umas mais doces outras mais azedas


Umas mais novas, outras mais velhas


As mais novas saltitam entre as mais velhas


Numa sinfonia de sons e cores


Na esperança de entrarem, num livro, num jornal, num telejornal


Na boca de um autor, de um comediante, de um locutor


Os poetas e os escritores penteiam-lhes os longos cabelos


Fazem-lhes bonitas tranças e colocam-lhes flores, nos cabelos


Mas, não contentes, cortam-lhes o cabelo e fazem-lhes permanentes


Pintam-lhes as sobrancelhas, os olhos e a boca, uma rotina louca


Mas, mesmo depois de tantas transformações, ainda não estão ao seu sabor


Beijam-nas na testa, na face, na boca, nos seios


Depois de tantos devaneios


Procuram que transmitam: amor, alegria, esperança, calor


Mas também, ódio, raiva, desilusão, ingratidão, dor


Todas querem estar na ribalta, no escaparate


Não as conseguem utilizar todas!


Algumas, por mais voltas que lhes deem, não as conseguem fazer rimar


Mas, elas não desanimam, nunca perdem a esperança


Mais tarde ou mais cedo, aparecerá um poeta ou um escritor, que lhes dará o devido valor.


 


José Silva Costa


 


 


 


 

Comentários

  1. As palavras são extraordinárias. Exprimem todos os sentimentos. Saúde e paz.

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    1. A tudo temos de dar nome, o que faz com que tenhamos de criar novas palavras.

      Saúde e alegria.

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  2. As palavras estão lá todas prontas a usar, não se cansam, não se gastam, o seu mau uso é que, às vezes, nos conduzem onde elas não queriam ser usadas.

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