2008

2008: O último


 


Lentamente, vamos deixando as nuvens, em breve aterraremos.


Este foi o último ano em que pudemos sonhar.


Não é mais possível acreditar nos sonhos, que nos impingiam.


Ter uma casa de sonho, carro de alta gama, férias na mais bela cama.


Até aqui era só apresentar o cartão de crédito, e tudo se conseguia.


Mas acabado o Verão, soprou o tufão, e o castelo de areia desmoronou-se.


Bancos falidos, fábricas de automóveis fechadas, e o trânsito reduzido nas estradas.


Vivíamos” naquele engano ledo e cego, que a fortuna não deixa durar muito.”


Era um sufoco, telefonemas de todos os Bancos, cheques, cartões de crédito, milhares de Euros, era só gastar, pois o magro ordenado não dava para tudo pagar.


Mas para atamancar, pagava-se um crédito com outro, até esgotarmos todos os cartões com que nos tinham encharcado.


Agora, vêem-nos dizer que devemos dois anos de ordenados, não são eles os culpados?


Entretiveram-se a criar produtos, virtuais, cada vez mais proveitosos, lucros fabulosos, grandes ordenados e prémios manhosos, que grandes gulosos!


Está tudo falido, o desemprego é mais que garantido.


Não há Natal, nem prendas, nem desejos de próspero Ano Novo, porque ninguém acredita que 2009 será melhor que o último da ilusão.


Preparemo-nos para o pior, se não acontecer, tanto melhor.  


 


José Silva Costa

Comentários

  1. Lamentavelmente esta é uma realidade.

    Curioso, em Maio de 2018 andei a vaguear por este tema, com o Título Os Bancos, que partilho consigo.
    https://classeaparte.blogs.sapo.pt/1848.html

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    1. Muito obrigado, pela partilha. Quando os Bancos tiveram prejuízos, nós pagámos.
      Quando têm muitos lucros, arrecadam-nos, em vez de pagarem a quem os ajudou.

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