Noviças!

Mosteiro de Arouca


 


Às


Noviças, e a todos, a quem roubaram a liberdade


 


 


Na juventude


Quando o corpo se empertiga


E o desejo o castiga


O pensamento é o seu sustento


Nada o prende, nem o vento.


A liberdade é empolgamento


Que não cabe em nenhum convento


Por muito que o queiram tornar bento


É, sempre, um lugar sem movimento.


Para o amor não existem prisões


Mosteiros, grades, divisões.


É a afogada, no fogo da clausura


O sonho ceifado no raiar da aurora


O ímpeto maternal subjugado pelas paredes.


Noviças, monjas, abadessas, no isolamento


Nem a presença das aias lhes suavizava o sofrimento.


É a dimensão do mundo, num momento


A roda do tempo presa num fio de vento


A morte antes da dor e do julgamento.


 


 


 


 


 


 


Ps. Escrito, depois de uma visita ao Convento de Arouca.


 


José Silva Costa


 


Convento de Santa Maria de Arouca


Convento onde a filha de D. Sancho I  (Santa Mafalda), que o professou aderiu em 1220, por bula papal à Ordem de Cister.


 


“ Arouca. Um mosteiro, uma terra, uma santa"

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Lua Cheia

A candeia!