A lua-de-mel!

A lua-de-mel!


 


Sonhos longos planos


Mar salgado ondulado


Um beco apertado


Rio sombrio magoado


Luzes acesas sem telhado


Frio escorregadio molhado


Braços num abraço sufocado


Beijos num céu estrelado


Mãos a afagar um corpo suado


A lua a iluminá-los com cuidado


Um sono acordado


A sorrir em cada namorado


Um grito de alegria queimado


O sobrolho da rua arrepiado


O sol a subir ao sobrado


A prometer ficar para sempre acordado


Para que ninguém acorde gelado


Uma noite de juras de amor encantado


Duas vidas atadas por um lençol esticado


O amor no perfume deitado


Tudo o resto passou ao lado


Como se o mundo já tivesse acabado


Nem um ruido incomodado


O tempo ficou parado


Na areia as gaivotas ensaiavam um bailado


Tudo ficou alado


Voaram num voo imaginado


Aterraram nas nuvens de um dia ensombrado


Com um bonito penteado


O futuro para sempre enleado.


José Silva Costa

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