O Império
O Império - As teias que o Império teceu
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O Roberto ainda pensou pedir a um artesão que esculpisse, em madeira, as letras do alfabeto, para que pudessem circular de mão em mão, para os alunos verem. Mas, depois de ter testado o terreiro, onde podiam fazer e apagar, voltar a fazer, quantas vezes quisesse, nunca mais pensou nisso
A fama do novo ponto de encontro, para as brincadeiras, depressa chegou a toda a cidade. Para eles não se tratava de uma escola, nem eles nunca tinham ouvido a palavra escola, era sim, um sítio onde se brincava muito
Assim, todos os dias apareciam mais participantes. O Roberto todos os dias chegava a casa, eufórico
A mulher dizia-lhe que ele era pior que eles, que lhes deixava fazer tudo, Ele respondia-lhe, que em breve todos veriam o que aquelas crianças aprendiam, brincando, sem esforço e muito felizes.
Em 1824 são enviadas as primeiras instruções para o Governador de Angola, determinando a ocupação do Ambriz e da foz do Zaire.
A partir de 1834, o Duque de Palmela, agora Ministro dos Negócios Estrangeiros, viria a retomar a questão da escravatura, sempre com intento de revogar o Tratado de Comércio de 1810. Porém, também sabia, que o governo britânico não aceitaria as negociações comerciais, sem uma negociação simultânea sobre a questão do tráfico de escravos.
O decreto do Marquês de Sá da Bandeira de 10 de Dezembro de 1836, proibiu o tráfico de escravos em todas as possessões portuguesas.
A entrada em vigor do decreto encontrou os maiores obstáculos para ser executado em Angola e Moçambique, onde a exportação de escravos constituía directa e indirectamente o principal rendimento das colónias. Acresce que existiam fortes interesses privados ligados ao tráfico e os seus beneficiários exerciam considerável influência política que conseguira sempre paralisar a acção governativa sobre a questão.
Por outro lado, na perspectiva britânica, para além da vertente humanitária, que era objecto de grande debate na Europa, acrescia o interesse em salvaguardar eventuais pretensões territoriais em África e os interesses comerciais ingleses.
Entre 1837 e 1839 foram retomadas as negociações luso-britânicas para a elaboração de um tratado abolindo o tráfico de escravos, apresentando a parte britânica como exigências, consideradas excessivas pelo lado português, a perpetuidade do Tratado, o direito de visita livre de embarcações portuguesas nos mares de África e o direito de explorarem em profundidade as costas dos domínios portugueses. A parte portuguesa viria a rejeitar liminarmente o último projecto de tratado.
Em 1842 foram assinados dois convénios luso-britânicos, respectivamente um sobre comércio e navegação e outro relativo à abolição do tráfico da escravatura. A negociação destes acordos foi conduzida pelo Duque de Palmela, que a iniciara em 1835, vindo a terminar após a assinatura do tratado luso-americano.
A assinatura do convénio com Washington, condicionou de certa forma o articulado daquele celebrado com Londres, pois nele não constam quaisquer privilégios especiais que pudessem servir de apoio a idênticas pretensões britânicas. Do lado português conseguiu-se um modelo de acordo baseado nos princípios da independência e da igualdade.
A respeito dos privilégios de que gozavam os ingleses, a documentação do Duque de Palmela demonstra que só foi possível obter a sua renúncia pela inserção no tratado de uma cláusula segundo a qual o Governo britânico se reservava o direito de reclamar o seu restabelecimento, no caso de, por qualquer imprevisto, se modificasse em Portugal o sistema constitucional, o que viria a suceder em 1846.
As fontes documentais revelam que o Duque de Palmela, que também colaborou na fase final das negociações com os EUA, soube negociar com os britânicos a aceitação dos princípios da liberdade do comércio e da reciprocidade no tratamento das relações comerciais e lidar com a invocação dos princípios humanitários para obter a adesão portuguesa à supressão total do tráfico da escravatura.
Continua
As voltas e reviravoltas da abolição da escravatura.
ResponderExcluirUm dia bom, José.
Foram precisas muitas negociações, muita diplomacia, pressões e ameaças, porque se tratava de um negócio muito lucrativo.
ExcluirFeliz dia, Isabel.
Mais um belo capítulo que gostei de ler
ResponderExcluirCumprimentos poéticos
Muito obrigado pela visita.
ExcluirBoa tarde e cumprimentos.
Que prossiga a saga...:)))abraço
ResponderExcluirGrato pela visita.
ExcluirUm abraço.
Interessante tema o da escravatura no séc. XIX, caro Amigo. Mesmo abolida continuo sendo praticada. Os célebres "negreiros", sempre ricos.
ResponderExcluirUm abraço.
O Duque de Palmela parece ter sido um grande diplomata e terá feito um bom trabalho para convencer americanos e ingleses dos nossos direitos.
ExcluirBoa tarde, caro Amigo.
Um abraço.
bom dia, querido amigo José.
ResponderExcluirdesculpa mas não gosto quando fazes copia/cola no meio do conto.
eu sei que são dados históricos mas não têm nada a ver com a tua narrativa.
beijinho e feliz final de semana
Compreendo. Bom resto de semana, querida amiga Ana.
ExcluirBeijinhos
obrigada
Excluirbom domingo, querido amigo
Olá querido amigo José!
ResponderExcluirUm excelente meio de aprendizagem, como é fantástico esse sonho de ensino em que a escola é sobretudo um lugar de reunião e brincadeira onde a transmissão de conhecimentos aparece naturalmente na sequência da interacção .
Apenas dois séculos nos afastam desta realidade do comércio e trafico humano, apesar disso e de justamente ser proibido, ainda há quem neste século viva essa realidade terrível, e quem, com competências de chefe de estados e nações as queira voltar a implementar ou delas não queira abdicar.
E assim as suas teias cruzam-se com as teias actuais, os tecedores de acordos e tratados mudam, mas as motivações pouca alteração sofreram.
Fundamental é continuar a criar legislação e medidas que protejam os mais fracos, os mais vulneráveis, pois se contassemos que um belo dia todos os malfeitores acordassem com consciência do bem, ainda hoje existiriam os negreiros do século XIX, escravatura nos campos de algodão nos EUA, e lixo tóxico e nuclear a ser despejado nas terras férteis da Ucrânia, entre outras atrocidades que os senhores donos disto tudo perpetuam ou querem perpetuar.
Ficarei atenta ao próximo capítulo deste seu Império que acompanho sempre com muito gosto.
Obrigada pelas partilhas e parabéns pela sua iniciativa, também aqui aprendemos ou relembramos aspectos essenciais da nossa história.
Continuação de uma boa semana, querido amigo José!
Beijinhos
A História até pode adormecer, como aconteceu neste oitenta anos. Mas, de repente aparece alguém que quer destruir tudo o que foi conseguido durante esse período, querendo voltar, novamente, à lei da força, porque as ambições imperialistas estão sempre presentes, e não obedece a leis, porque é ele que as faz e aplica.
ExcluirBom resto de dia, querida amiga Mafalda,
Beijinhos
A escravatura será que só acabou em decreto? Por vezes parece que continuamos escravos de tanto, neste mundo....
ResponderExcluirPara muitos, a escravatura continua, porque há quem continue a tratar os seus semelhantes como escravos.
ExcluirBom resto de semana, Maribel!
Beijinhos
Enquanto se brinca e convive aprende-se a fazer, a criar empatia e solidariedade, quando não há espaço, nem tempo, nem local para brincar, acontece o contrário.
ResponderExcluirConcordo. Se privarmos as crianças de brincarem umas com as outras, poderemos estar a prejudicá-las na integração laboral, ou até mesmos nas relações sexuais.
ExcluirBom resto de semana.
Cumprimentos.
Obrigada pela partilha
ResponderExcluirMuito obrigado pela visita-
ExcluirBom fim-de-semana, Di!
Beijinhos
Grata pela partilha, José! :))
ResponderExcluirBoa noite!
Muito obrigado!
ExcluirBom fim-de-semana, Zé!
Nada fácil a Época descrita
ResponderExcluirBelo fim de Semana, bom e belo dia
e que seja em harmonia pra vocês José.
Já não há épocas fáceis. Estão sempre a aparecer abutres.
ExcluirBom fim-de-semana para vocês com saúde e alegria, João.
A alegria do ensino e a tragédia da escravatura são, de muitas maneiras, duas faces da mesma moeda. E, assim, lado a lado, é ainda mais flagrante.
ResponderExcluirDe acordo. E, ainda, hoje é a falta de ensino que, por vezes, leva à moderna escravatura.
ExcluirNegociações, convênios, projectos, decretos, Onde terei eu ouvido estas palavras nestes dias? Não interessa a época, os problemas são sempre os mesmos.
ResponderExcluirO objetivo é sempre o mesmo, tentar negociar com o mais forte, procurando sobreviver.
ExcluirBoa semana, Isabel!
Li todos os capítulos que tinha por ler. Se já gostava, fiquei gostar ainda mais. Muitos Parabéns, pela bonita iniciativa. Tem conseguido manter o interesse ao mesmo tempo abordar muitas questões que ainda permanecem actuais: a escravatura (hoje de outros moldes), a importância do brincar...
ResponderExcluirExcelente terça-feira.
Muito obrigado por ter tido paciência para ler tudo.
ExcluirDesejo-lhe um dia muito feiz.
"...supressão total do tráfico da escravatura..."
ResponderExcluirEscravatura: um problema que ainda hoje continua.
Que venham tempos de Paz e Saúde.
A escravatura é um problema, que parece não ter fim.
ExcluirSaúde e alegria.
Óptima maneira de brincar.
ResponderExcluirGostei de saber da abolição da escravatura
Beijinhos José
Brincar faz bem. As nossas crianças precisam de brincar mais.
ExcluirFeliz noite, Manu!
Beijinhos