Quingentésimo ano (361)

 


070.


Cantiga
a este moto seu:
De que me serve fugir
da morte, dor e perigo,
se me eu levo comigo?
VOLTAS
Tenho-me persuadido,
por razão conveniente,
que não posso ser contente,
pois que pude ser nacido.
Anda sempre tão unido
o meu tormento comigo
que eu mesmo sou meu perigo.
E se de mi me livrasse,
nenhum gosto me seria;
que, não sendo eu, não teria
mal que esse bem me tirasse
Tenho-me persuadido,
por razão conveniente,
que não posso ser contente,
pois que pude ser nacido.
Anda sempre tão unido
o meu tormento comigo
que eu mesmo sou meu perigo.
E se de mi me livrasse,
nenhum gosto me seria;
que, não sendo eu, não teria
mal que esse bem me tirasse. .

Comentários

  1. Nem uma alegria? "Uminha" para destoar de tanto tormento?
    Bom dia, José.

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    1. Quando se fala de dor e perigo, não há lugar para a alegria.

      Bom resto de dia, Isabel.

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  2. Bom dia, Cheia!

    Mais uma Cantiga com Voltas que vai ficar em fila de espera, embora eu tenha de começar a tentar travar a minha esfuziante Musa porque, não tarda, acaba o quingentésimo ano do nascimento do nosso vate maior...

    Um abraço

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    1. Boa tarde, Maria João!

      O quingentésimo está a acabar e a fonte onde tenho estado a beber, também está a chegar ao fim, não imaginava que tivesse uma nascente tão bom.

      Um abraço.

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    2. Ó Cheia, tem nas suas mãos uma preciosíssima fonte e muito lhe agradeço por me ter deixado beber dela, tal como fez com todos os seus leitores.

      OBRIGADA por ter partilhado connosco a água dessa fonte cristalina.

      Outro abraço

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    3. O mais encantador destes tempos modernos é que estas fontes estão ao alcance de quase todos, basta ter internet e um aparelho para a ver. Tudo tão diferente dos tempos da nossa meninice.

      Um abraço.

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    4. Na minha meninice não era assim tão diferente porque eu tinha mesmo ali à mão duas imensas bibliotecas que consultava sempre que quisesse e como não tinha problemas de mobilidade, bastava-me empurrar uma escadinha para chegar aos livros que estavam lá no alto, pertinho do tecto... Claro que não tinham um milésimo do que agora temos de mão beijada, mas a sensação de poder ir buscar tudo aquilo de que precisasse para me informar era muito parecida com a que agora sentimos... Mas isso fui eu que tive a sorte de ter uma infância muito privilegiada. Enfim, agora tenho uma velhice bem menos privilegiada, para equilibrar, rsrsrs

      Outro abraço!

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  3. Respostas
    1. Muito obrigado!

      Também lhe desejo a continuação de Boas Festas, Maribel!

      Beijinhos.

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  4. O nosso LUis no fundo
    Belo fim de Semana.

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    1. Nunca estava contente.

      Bom fim-de-semana para vocês com saúde e alegria, João.

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