Quingentésimo (362)

111.
Cantiga


a este moto que lhe mandou
o Vizo-Rei, na Índia, para
que Luís de Camões lhe
fizesse üas voltas
MOTO:
Muito sou meu inimigo,
pois que não tiro de mi
cuidados com que nasci,
que põem a vida em perigo.
Oxalá que fora assi


VOLTAS



Viver eu, sendo mortal,
de cuidados rodeado,
parece meu natural;
que a peçonha não faz mal
a quem foi nela criado.
Tanto sou meu inimigo,
que, por não tirar de mi
cuidados, com que naci,
porei a vida em perigo.
Oxalá que fora assi!
Tanto vim a acrecentar
cuidados, que nunca amansam
enquanto a vida durar,
que canso já de cuidar
como cuidados não cansam.
Se estes cuidados que digo
dessem fim a mi e a si,
fariam pazes comigo;
que pôr a vida em perigo,
o bom fora para mi.



 

Comentários

  1. Bom dia, Cheia!

    Mais voltas do nosso grande vate a que eu não sei se vou chegar... Mas hoje conto voltar ao nosso Camões que já estou a trabalhar nisso e umas voltas escrevem-se num instantinho quando a Musa está toda feliz. :)

    Eu é que ainda estou meia ensonada que só esta noite repousei sem as malfadadas cãibras.

    Um abraço

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    Respostas
    1. Bom dia, Maria João!

      Ainda bem que a Musa está feliz, para nos continuar a encantar.

      Um abraço.

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    2. Estamos é as duas desfasadas, Cheia! Ela, a Musa, toda espevitada e eu ainda a cair de sono...

      Mas não posso ceder à tentação de ir dormir, que hoje tenho compromissos.... Corro é o risco de adormecer com a cabeça em cima do teclado.

      Um abraço

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  2. "...fariam pazes comigo; (...)"
    Que estejamos todos em Paz, com nós próprios, e o Mundo em Paz, neste novo ano que se aproxima.
    Feliz 2025!

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