Quingentésimo (297)

88.
Cantiga


a este moto alheio
Vosso bem querer, Senhora:
vosso mal milhor me fora.
VOLTAS
Já'gora certo conheço
ser milhor todo tormento
onde o arrependimento
se compra por justo preço.
Enganou-me um bom começo;
mas o fim me diz agora
que o mal milhor me fora.
Quando um bem é tão danoso
que, sendo bem, dá cuidado,
o dano fica obrigado
a ser menos perigoso.
Mas se a mim, por desditoso,
co bem me foi mal, Senhora,
co vosso mal bem me fora.

Comentários

  1. Os danos do amor!
    Tenha um dia feliz José!

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    1. Há amores que dão muitos danos!

      Feliz resto de dia, Ana!

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  2. Em resumo, depreendo que teria sido melhor que a Senhora lhe tivesse querido Mal do que lhe ter querido Bem!
    Escrito/Glosado/Poetado, este pensamento/mote como só o Grande Mestre de Quinhentos e Universal sabia poetar.
    Obrigado, José, por nos trazer estes TPCs diários Camonianos. Com quem tenho aprendido muito. Gosto de tentar interpretar a Poesia Camoniana, que é riquíssima. Sem preconceitos, nem pretensiosismos. Apenas decifrar, aprender! É um jogo. Sempre que tenha condições, continue, SFF. Obrigado!
    (Mas fica imenso por descobrir, porque há ali imensas variáveis que nós ignoramos completamente. Mas fazemos o que podemos.)

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  3. Grata pela partilha, José! :))
    Resto de dia Feliz!

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  4. Pontas de jocoso Choupal
    Boa e bela quinta feira
    em toda a harmonia de bom dia pra vocês.

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    1. A luta do poeta com as suas amadas.

      Bom dia para vocês com saúde e alegria, João.

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