Quingentésimo ano (250)

Ja he tempo, ja, que minha confiança
Se desça de huma falsa opinião:
Mas Amor não se rege por razão;
Não posso perder, logo, a esperança.

A vida si; que huma aspera mudança
Não deixa viver tanto hum coração,
E eu só na morte tenho a salvação:
Si: mas quem a deseja não a alcança.

Forçado he logo que eu espere e viva.
Ali dura lei de Amor, que não consente
Quietação n'hum'alma que he captiva!

Se hei de viver, em fim, forçadamente,
Para que quero a gloria fugitiva
De huma esperança vãa que me atormente?


Luís de Camões

Comentários

  1. Inquietações da alma do pobre Camões.
    Um bom fim de semana que se avizinha caro Amigo.
    Um abraço

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muitas inquietações o atormentavam.

      Boa tarde e bom-fim-de-semana, caro Amigo.

      Um abraço.

      Excluir
  2. A esperança no amor e na vida. Sentimentos divergentes, estes.
    Feliz tarde, José!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O Amor é muito complexo, não rege pela razão.

      Boa tarde e bom fim-de-semana, Ana!

      Excluir
  3. Obrigada pela partilha.
    Beijinhos

    ResponderExcluir
  4. Grata pela partilha, José! :))
    Resto de dia Feliz e Boa semana!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Lua Cheia

A candeia!