Quingentésimo ano (248)

Ja a roxa e branca Aurora destoucava
Os seus cabellos de ouro delicados,
E das flores os campos esmaltados
Com crystallino orvalho borrifava;

Quando o formoso gado se espalhava
De Sylvio e de Laurente por os prados;
Pastores ambos, e ambos apartados,
De quem o mesmo amor não se apartava.

Com verdadeiras lagrimas Laurente,
Não sei, (dizia) ó Nympha delicada,
Porque não morre ja quem vive ausente;

Pois a vida sem ti não presta nada.
Responde Sylvio: Amor não o consente:
Que offende as esperanças da tornada.


Luís de Camões

Comentários

  1. Nota

             "   Laurente - Criptónimo de personagem desconhecida.  « Pastores ambos» - fingimento literário em uso no século XVI, conforme Sannazaro no seu romance pastoril Arcádia."              ( Joaquim Ferreira)

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  2. Obrigada pela partilha.
    Tenha um bom dia, José!

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  3. As belíssimas estrofes épicas de Camões a lembrar-nos que serão sempre magníficas as palavras portuguesas, sejam em poesia ou texto, sejam autores consagrados, conhecidos ou não.
    Dia feliz, caro amigo.
    Bjs

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    1. Sem dúvida, a nossa língua é composta por muitas e maravilhosas palavras.

      Também lhe desejo um dia feliz, cara amiga.

      Beijinhos

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  4. Grata pela partilha, José! :))
    Resto de dia Feliz!

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  5. Sem em grandes amores o nosso Luis
    Bela quinta feira em harmonia José.

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    1. Amores não lhe faltaram, ao nosso Luís.

      Bom dia para vocês, com saúde e alegria, João.

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