Quingentésimo ano (247)

Erros meus, ma Fortuna, Amor ardente
Em minha perdição se conjurárão:
Os erros e a Fortuna sobejárão;
Que para mi bastava Amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas, que passárão,
Que ja as frequencias suas me ensinárão
A desejos deixar de ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa a que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De Amor não vi senão breves enganos.
Oh quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Genio de vinganças!


Luís de Camões

Comentários

  1. Nota: 

        "  É um soneto com especial interesse para a interpretação da biografia de Camões, que nele confessa as causas do seu infortúnio: os erros, a má fortuna e o amor ardente.

          Génio - Divindade que servia de intermediário nas relações dos homens com os deuses."         (Joaquim Ferreira)

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  2. O amor enquanto valor supremo da vida tão bem dito por Camões!
    Obrigada José!
    Dia feliz!

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    1. Foi um mestre a escrever sobre o amor, deixou-nos muitas páginas inesquecíveis, sobre grandes amores, como o de Pedro e Inês e tantos outros.

      Também lhe desejo um dia muito feliz, Ana!

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  3. Respostas
    1. Um soneto, onde o poeta revela as causas da sua má sorte.

      Noite tranquila, Maribel!

      Beijinhos

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  4. Grata pela partilha, José! :))
    Resto de dia Feliz!

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  5. Excelente! Obrigada por recordar.
    Boa noite, querido José.
    Beijinho

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    Respostas
    1. Muito obrigado, querida ROMI!

      Noite tranquila.

      Beijinhos

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  6. O muro das lamentações do nosso Luis
    Bom e belo dia em harmonia, que a frescura de fim de Verão já se nota.
    Bom dia pra vocês.

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    1. Foram os erros e a má sorte, que tramaram o nosso Luís.

      Bom dia para vocês, com saúde e alegria, João.

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