Quingentésimo (262)
106.
Trovas
a üa cativa com quem andava
de amores na Índia, chamada
Bárbora
Aquela cativa,
que me tem cativo,
porque nela vivo
já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa
em suaves molhos,
que para meus olhos
fosse mais fermosa.
Nem no campo flores,
nem no céu estrelas,
me parecem belas
como os meus amores.
Rosto singular,
olhos sossegados,
pretos e cansados,
mas não de matar.
üa graça viva,
que neles lhe mora,
para ser senhora
de quem é cativa.
Pretos os cabelos,
onde o povo vão
perde opinião
que os louros são belos.
Pretidão de Amor,
tão doce a figura,
que a neve lhe jura
que trocara a cor.
Leda mansidão
que o siso acompanha;
bem parece estranha,
mas bárbora não.
Presença serena
que a tormenta amansa;
nela enfim descansa
toda a minha pena.
Esta é a cativa
que me tem cativo,
e, pois nela vivo,
é força que viva.
Arrebatador o nosso Luis
ResponderExcluirO flagelo dos incêndios nestes dias ainda quentes, desnimam.
Bela quarta feira pra vocês José.
Estava cativo.
ExcluirOs incêndios são o flagelo de todos anos, que ninguém consegue evitar.
Bom dia para vocés, com saúde e alegria,
João.
O feitiço do amor!
ResponderExcluirDesejo-lhe um bom dia, José!
O Amor ' é fogo que arde sem sever''
ExcluirBom dia Ana!
Uma vida inteira cativado por sucessivas damas e donzelas. Ou seria só cativado pelas palavras?
ResponderExcluirBoa tarde, José.
Eram damas e donzelas, esta chamava-se Bárbora.
ExcluirBom resto de dia, Isabel.
"Endechas a Bárbara Escrava."
ResponderExcluirParabéns e Obrigado por nos lembrar Camões nas suas variadas vertentes poéticas.
Agradeço o seu comentário, para melhor compreendermos o que estamos a ler. Desconhecia o termo "Endechas".
ExcluirGrata pela partilha, José! :))
ResponderExcluirResto de dia Feliz!
Muito obrigado!
ExcluirNoite tranquila, Zé!