Quingentésimo ano (240)

Bem sei, Amor, que he certo o que receio;
Mas tu, porque com isso mais te apuras,
De manhoso mo negas, e mo juras
Nesse teu arco de ouro; e eu te creio.

A mão tenho metida no meu seio,
E não vejo os meus damnos ás escuras:
Porém porfias tanto e me asseguras,
Que me digo que minto, e que me enleio.

Nem somente consinto neste engano,
Mas inda to agradeço, e a mi me nego
Tudo o que vejo e sinto de meu dano.

Oh poderoso mal a que me entrego!
Que no meio do justo desengano
Me possa inda cegar hum moço cego?


Luís de Camões

Comentários

  1. Um abraço caro Amigo.
    Um belo soneto este!
    Tudo de bom

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    1. Camões foi um grande mestre, no que diz respeito ao Amor.
      Boa noite, caro Amigo.

      Um abraço.

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  2. Grata pela partilha, José! :))
    Resto de dia Feliz!

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  3. O desepero no nosso Luis ´, `))))
    Bela quarta feira em harmonia e bom dia José

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    1. O nosso Luís, sempre, às voltas com o Amor.

      Bom dia para vocês, com saúde e alegria, João.

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  4. Muito bom, José

    Beijinhos
    Resto de Dia Feliz

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