Quingentésimo ano (188)

Que modo tão subtil da natureza
Para fugir ao mundo e seus enganos!
Permitte que se esconda em tenros anos
Debaixo de hum burel tanta belleza!

Mas não póde esconder-se aquella alteza
E gravidade de olhos soberanos,
A cujo resplandor entre os humanos
Resistencia não sinto, ou fortaleza.

Quem quer livre ficar de dor e pena,
Vendo-a ja, ja trazendo-a na memoria,
Na mesma razão sua se condena.

Porque quem mereceo ver tanta gloria
Captivo ha de ficar; que Amor ordena
Que de juro tenha ella esta victoria.


Luís de Camões

Comentários

  1. Nota

        "  Escreveu Camões este soneto a uma noviça  ou monja. Quem era ela? É  mais uma prova da impossibilidade de se identificar as mulheres que perpassam nas líricas de Camões."

                                                                                                                                                  (Joaquim Ferreira)

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  2. Cativos do amor e da beleza.
    Obrigada pela partilha José e bom fim de semana

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    Respostas
    1. A beleza presa num convento, que não consegue esconder a alteza e os olhos soberanos.

      Bom fim-de-semana, Ana!

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  3. Grata pela partilha, José! :))
    Boa noite e Boa semana!

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