Quingentésimo ano (167)








Passo por meus trabalhos tão isento
De sentimento grande nem pequeno,
Que só por a vontade com que peno
Me fica Amor devendo mais tormento.

Mas vai-me Amor matando tanto a tento,
Temperando a triaga co'o veneno,
Que do penar a ordem desordeno,
Porque não mo consente o soffrimento.

Porém se esta fineza o Amor sente
E pagar-me meu mal com mal pretende,
Torna-me com prazer como ao sol neve.

Mas se me vê co'os males tão contente,
Faz-se avaro da pena, porque entende
Que quanto mais me paga, mais me deve.


Luís de Camões






 

 

 






 

 

 

 



Comentários

  1. Parece que vão tirar o outro olho ao Camões e fazer não sei que mais maldades, caro Amigo.
    Assim não chegamos lá...
    Um bom fim de semana, um abraço

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    1. Os grandes génios são assim: para uns são heróis, para os outros desprezíveis defensores do pior da humanidade: Impérios, escravatura..........

      Boa tarde, caro, Amigo.
      Um abraço.




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  2. Lá anda Camões de candeias às avessas com o Amor. Uma canseira.
    Bom dia, José

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    1. Parece-me, que isso lhe dava prazer.

      Bom fim-de-semana, Isabel

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  3. Boa tarde, Cheia!

    É fabuloso, este soneto que não conhecia... É ele de candeias às avessas com o Amor e eu para aqui a tentar que o meu músculo cardíaco não pare de funcionar...

    Apetecia-me responder-lhe, mas estou aflita com uma perna a jorrar uma aguadilha que não pára e já me molhou a cama toda...

    Um abraço

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    1. Boa tarde, Maria João!

      Boas e rápidas melhoras.

      Um abraço.

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  4. Bonito soneto.
    Sempre o amor a agitar o pensamento de Camões.
    Resto de sábado tranquilo.

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  5. Grata pela partilha, José! :))
    Resto de dia Feliz e Boa semana!

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