Quingentésimo ano (164)

Ornou sublime esfôrço ao grande Atlante,
Com qu'a celeste máchina sustenta;
Honrou a Homero o engenho, com que intenta
Grecia do quarto ceo passá-lo avante;

Coroou claro Amor de amor constante
A Orpheo, na paz firme e na tormenta;
Inspirou a Fortuna, em tudo isenta,
A Cesar, de quem foi hum tempo amante;

Exaltaste tu, Fama, a gloria alta
De Alcides lá no monte em que resides;
Mas Castro, em quem o Ceo seus dões derrama,

Mais orna, honra, coroa, inspira, exalta,
Que Atlante, Homero, Orpheo, Cesar e Alcides,
Esfôrço, engenho, Amor, Fortuna e Fama.


Luís de Camões

Comentários

  1. Mais um soneto maravilhoso, José

    Beijinhos
    Resto de Dia Feliz

    ResponderExcluir
  2. Grata pela partilha, José! :))
    Resto de dia Feliz!

    ResponderExcluir
  3. Castro vale por todos os outros Seres da Antiga Mitologia!
    Obrigado, José e viva a Poesia de Camões!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Refere-se à Inês de Castro?

      Boa noite, saúde e alegria.

      Excluir
  4. O nosso LUis
    e a Febre de Sexta feira à noite, só pode

    Bom e belo dia em harmonia pra vocês, e sorriso.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não se contentava com pouco, queria tudo.

      Bom dia para vocês, com saúde e alegria, João,

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Lua Cheia

A candeia!