Quingentésimo ano (156)

O raio crystallino se estendia
Por o mundo da Aurora marchetada,
Quando Nise, pastora delicada,
Donde a vida deixava se partia.

Dos olhos, com que o sol escurecia,
Levando a luz em lagrimas banhada,
De si, do fado, e tempo magoada,
Pondo os olhos no Ceo, assi dizia:

Nasce, sereno sol, puro e luzente;
Resplandece, purpurea e branca aurora,
Qualquer alma alegrando descontente;

Que a minha, sabe tu que desde agora
Jamais na vida a podes ver contente,
Nem tão triste nenhuma outra pastora.


Luís de Camões

Comentários

  1. obrigada pela partilha.
    beijinhos

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  2. Celebrar Camões é, de certa forma, caucionar o eurocentrismo, a supremacia branca e o próprio fascismo. Quem gosta de Camões vota Trump e não apoia a Palestina. ( Quintela, no Observador)

    Em que se baseia, para fazer tão parva afirmação?

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  3. Grata pela partilha, José! :))
    Boa noite!

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