O futuro está atrasado

 


Maio florido e perfumado


Está, mais um, acabado


O junho é chegado


Com o seu calor, amado


Com Santos e fado


Tudo está animado


Portugal é um arraial adiado


Marchas e marchinhas, num país parado


Santo António é que está sempre ocupado


Com os casamentos a recordarem o passado


Lisboa já nem tem o Chiado


Tudo está tão modificado


Foi tudo engolido pelo turismo acelerado


A fúria do vento animado


O futuro está atrasado


Mas não tem culpado


Tudo são maravilhas neste reino à beira mar plantado


Do cotim, à bombazina, passando pelo riscado


Tudo são glórias do antepassado


Ninguém voltará à rabiça do arado


O passado está enterrado


O que desejo é que o futuro não seja magoado


Como é bom ir galgando este emaranhado


De novos desafios ao homem empenhado


De nunca ficar parado


De querer ir, sempre, mais longe, no seu aluarado


De não querer ficar ao chão, atado


De querer trocar este chão, amado


Por um sítio imaginado.


 


José Silva Costa


 


 


 


 


 


 


 


 

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