Quingentésimo ano (139)
Na metade do ceo subido ardia
O claro, almo Pastor, quando deixavão
O verde pasto as cabras, e buscavão
A frescura suave da agua fria.
Com a folha das árvores, sombria,
Do raio ardente as aves se amparavão:
O módulo cantar, de que cessavão,
Só nas roucas cigarras se sentia.
Quando Liso pastor n'hum campo verde
Natercia, crua Nympha, só buscava
Com mil suspiros tristes que derrama.
Porque te vás de quem por ti se perde,
Para quem pouco te ama? (suspirava)
E o eco lhe responde: Pouco te ama.
Luís de Camões
" O claro, almo Pastor - Referência ao deus Apolo, que conduzia o carro do Sol guiando os seus cavalos.
ResponderExcluirLiso - Anagrama de « Luís », nome de baptismo do Poeta - Luís de Camões.
Natércia - Anagrama de « Caterina ». Supõe-se que é D. Catarina de Ataíde, filha de D. António de Lima e de D. Maria Bocanegra; foi dama na corte de D. João III e morreu em 1556. Muitos têm sustentado ser esta a bem-amada de Camões. Nada prova isto. Só neste soneto aparece o anagrama Natércia, o que faz supor não ter tido ela a importância que muitos lhe atribuem na vida de Camões.
Infortúnio, o das amadas de Camões, sempre tão visadas.
ResponderExcluirUm Sábado alegre, José.
Não tinham a perfeição, com que ele sonhava, ou as pretendia cantar.
ExcluirBom fim-de-semana, Isabel.
Um bom fim de semana, caro Amigo, o mais fiel camoneano.
ResponderExcluirUm abraço
Muito obrigado, caro Amigo.
ExcluirBom fim-de-semana.
Um Abraço.
Muito obrigado!
ResponderExcluirBom fim-de-semana.
Nem o Pastor tinha melhor sina que Camões. A Ninfa também pouco o amava!
ResponderExcluirÉ muito interessante este seu TPC: todos os dias lermos Camões. Obrigado e saúde, para continuar.
Nem as ninfas faziam milagres.
ExcluirBom domingo com poesia.
Grata pela partilha, José! :))
ResponderExcluirDia Feliz e Boa semana!
Muito obrigado!
ExcluirFeliz dia, Zé!