Quingentésimo ano (125)
Guardando em mi a Sorte o seu direito.
Em verde me cortou minha alegria.
Oh quanto feneceo naquelle dia,
Cuja triste lembrança arde em meu peito!
Quando mais o imagino, bem suspeito
Que a tal bem tal desconto se devia,
Por não dizer o mundo que podia
Achar-se em seus enganos bem perfeito.
Pois se a Fortuna o fez por descontar-me
Aquelle gôsto, em cujo sentimento
A memoria não faz senão matar-me;
Que culpas póde dar-me o pensamento,
Se a causa qu'elle tẽe de atormentar-me,
Tenho eu de soffrer mal o seu tormento?
Luís de Camões
Os tormentos do nosso Camões são infinitos
ResponderExcluirBom Sábado chuvoso e alegre, José.
Deve ter tido uma vida muito tormentosa.
ExcluirTambém lhe desejo um bom Sábado, com alegria, Isabel.
Por aqui, apenas, uns borrifos.
Bom dia, Cheia!
ResponderExcluirO soneto é lindíssimo, mas eu é que já começo a ter dó de Camões. Se é verdade que me queixo das minhas maleitas nos meus poemas, ele queixa-se dez ou cem vezes mais do que eu.
Creio que quando comecei a ler a sua lírica - era eu ainda pequenota - só li o poeta, nunca cheguei a debruçar-me sobre o homem...
Obrigada e um abraço
" Quanto maior é nau, maior é o sofrimento", como grande poeta, grandes terão sido os desgostos.
ExcluirBoa tarde, Maria João!
Um abraço.
Muito obrigada pela partilha
ResponderExcluirBom fim-de-semana, Di!
ExcluirBeijinhos
Muito sofreu Camões! (Um pormenor: atente-se na ortografia.)
ResponderExcluirFeliz fim de semana.
Quanto maior o talento, maior o sofrimento.
ExcluirA ortografia vai mudando, ao longo dos séculos, mas a Língua mantem-se jovem, atraente, vigorosa, formosa, bela.
Bom fim-de-semana.
Grata pela partilha, José! :))
ResponderExcluirDia Feliz!
Muito obrigado!
ExcluirBom resto de dia e boa semana!