Quingentésimo ano (95)


De quantas graças tinha a natureza
Fez hum bello e riquissimo thesouro;
E com rubis e rosas, neve e ouro,
Formou sublime e angelica belleza.

Poz na boca os rubis, e na pureza
Do bello rosto as rosas, por quem mouro;
No cabello o valor do metal louro;
No peito a neve, em que a alma tenho accesa.

Mas nos olhos mostrou quanto podia,
E fez delles hum sol, onde se apura
A luz mais clara que a do claro dia.

Em fim, Senhora, em vossa compostura,
Ella a apurar chegou quanto sabia
De ouro, rosas, rubis, neve e luz pura.



 


Luís de Camões


 
















Comentários

  1. E parecendo que não já passaram quase cem dias desde que o José começou a partilhar versos de Camões todos os dias. Tenho um palpite que muitos dos que aqui passaram estão a ler ou reler Camões com atenção pela primeira vez na vida.
    Obrigada, José. Uma tarde boa.

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    1. O tempo passa a correr.
      Espero que aproveitem para conhecer os muitos sonetos do grande Camões.

      Boa tarde, Issbel

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  2. Grata pela partilha, José! :))
    Boa noite!

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  3. "...De ouro, rosas, rubis, neve e luz pura." Tudo do melhor e mais belo!
    É muito interessante esta oportunidade de lermos e relermos Camões.

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    Respostas
    1. Camões deixou-nos sonetos muito bons.

      Bom dia com saúde e alegria.

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