Quingentésimo ano (118)
Está o lascivo e doce passarinho
Com o biquinho as pennas ordenando;
O verso sem medida, alegre e brando,
Despedindo no rustico raminho.
O cruel caçador, que do caminho
Se vem callado e manso desviando,
Com prompta vista a setta endireitando,
Lhe dá no Estygio Lago eterno ninho.
Desta arte o coração, que livre andava,
(Postoque ja de longe destinado)
Onde menos temia, foi ferido.
Porque o frecheiro cego me esperava,
Para que me tomasse descuidado,
Em vossos claros olhos escondido.
Luís de Camões
Obrigada e bom fim de semana José!
ResponderExcluirMuito obrigado, Ana.
ExcluirPara melhor compreensão do soneto, partilho as notas:
" Estígio lago - O Estígio era um rio do Inferno. " Estígio lago" é sinónimo de "morte".
Frècheiro cego - O Amor, que os antigos pintavam com venda nos olhos, de aljava ao ombro, e nela as setas com que disparava o arco e feria os corações."
Bom fim-de-semana.
Obrigada, José, pelo momento
ResponderExcluirBeijinhos
Bom Fim de Semana
Eu é que agradeço as tuas visitas.
ExcluirBom fim-de-semana, Luísa!
Beijinhos
Bom fim de semana José.
ResponderExcluirE no fundo somos todos pássaros livres até que a flecha de um "moçoilo" a que chamamos Cupido nos atinja e nos prenda no Amor.
Também lhe desejo um bom fim-de-semana, Sofia.
ExcluirÉ como fiz. Fui cedo enfeitiçado, por uma Saloia, que me tem cativo há quase 59 anos, deu-me duas Rosas e um Cravo, e eu para , sempre, fiquei aprisionado.
Num outro comentário, se estiver interessada, pode ver o significado de Estígio lago e Frècheiro cego.
Bom resto de sábado.
Obrigado José irei ver.
ExcluirResto de bom dia junto das suas flores familiares.
O Cupido já fazia das suas José
ResponderExcluirBelo e bom domingo pra vocês.
O Cupido continua ativo.
ExcluirBom resto de domingo, para vocês, com saúde e alegria, João.
Bom dia, Cheia!
ResponderExcluirEste é um dos pouquíssimos sonetos que eu sabia de cor quando era pequenita .)
Bom Domingo e um abraço
Isso é que foi sorte, ter nascido no meio da poesia.
ExcluirTambém lhe desejo um bom domingo, Maria João!
Um abraço.
Foi sorte, sim, Cheia :)
ExcluirMas não eram só de poesia os livros da imensa biblioteca do meu avô: alguns dos que mais me apaixonavam eram teses de licenciatura ou doutoramento em Medicina, oferecidos pelos alunos do meu bisavô Sousa Júnior, que moravam nas prateleiras ao lado dos outros livros.
Outro abraço
Que grande diferença, nasci numa casa, onde no lado direito viviam os meus pais, no lado esquerdo funcionava a Escola Primária. Na casa de entrada, como se diz no Alentejo, era onde os alunos brincavam no recreio, lembro-me de me misturar com eles e de andarem comigo à roda até quase desmaiar.
ExcluirEm casa só o meu pai sabia ler, havia um livro de História, que ele tinha comprado em Évora, quando estava na tropa, destacado na fronteira, aquando da guerra civil, espanhola.
Um abraço.
Quase todos os "bloggers" que vou lendo nasceram na pobreza e estão agora numa posição de conforto financeiro... Comigo, tudo se passou exactamente ao contrário. Coisas da vida...
ExcluirOutro abraço, Cheia
Grata pela partilha, José! :))
ResponderExcluirBoa noite e Boa semana!
Muito obrigado!
ExcluirNoite tranquila, Zé!