Quingentésimo ano (110)




Dos ceos á terra desce a mor Belleza,
Une-se á nossa carne, e a faz nobre;
E, sendo a humanidade d'antes pobre,
Hoje subida fica á mor riqueza.

Busca o Senhor mais rico a mor pobreza;
Que, como ao mundo o seu amor descobre,
De palhas vis o corpo tenro cobre,
E por ellas o mesmo ceo despreza.

Como? Deos em pobreza á terra dece?
O qu'he mais pobre tanto lhe contenta,
Qu'este somente rico lhe parece.

Pobreza este Presepio representa;
Mas tanto por ser pobre ja merece,
Que quanto mais o he, mais lhe contenta.





Luís de Camões

Comentários

  1. Bom dia, Cheia!

    Hoje rumei a "mares nunca dantes navegados", mas ainda voltarei a Camões se me conseguir entender no labirinto dos meus ficheiros...

    Boa sexta-feira e um abraço

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    1. Espero que consiga sair do labirinto.

      Bom fim-de-semana, Maria João!

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    2. Hei-de conseguir, a menos que me apareça por lá algum Minotauro difícil de domar... No entanto, costumo ter muito jeito para domar feras :)

      Bom fim-de-semana e outro abraço

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  2. Ser rico é contentar-se com o que tem...:)))abraço

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  3. Na riqueza e na pobreza, mas se é presépio é filho de Deus que na terra vive modestamente, ou entendi mal?...resto de dia feliz José e bom fim de semana.

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    1. Também entendi isso. Se bem que seja muito difícil a interpretação.
      Bom fim-de-semana, Sofia!

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    2. Obrigado Caro José, agora foi eleito "professor" desta sua "aluna" e leitora.
      Noite feliz.

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    3. O problema é que sei muito menos que a Sofia. Quando os sonetos têm notas do autor - Joaquim Ferreira - Sonetos de Camões - Editorial Domingos Barreira - Porto, posso transcrever essas notas. Mas este não consta nesse livro, que tem 196 sonetos. Como tencionou fazer 366 publicações, tenho de me socorrer, também, da Internet.
      Assim, não se fie neste professor, que de professor não tem nada.

      Noite tranquila, Cara Sofia.

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    4. Confio sim Caro José, e ensina sim, até na cordialidade e no trato que tem para com os outros bloggers, não o conheço pessoalmente mas sinto que é muito sábio e polido. Grata.

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    5. A sua bondade é que vê o que não sou.

      Muito obrigado.

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    6. Caro José todos temos partes iguais de bondade e de maldade, mas escolhemos como agir.
      Ver o melhor nos outros também é ver o melhor de nós.
      E eu já fui míope, literalmente, mas com os avanços da medicina hoje em dia vejo bem.

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    7. Os avanços da medicina têm sido tão importantes. Sem óculos, eu já não podia ler, escrever, ver . Assim, como diz o oftalmologista, vejo como se fosse um jovem, que maravilha!

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    8. Ainda bem, eu também agradeço tanto por ver bem hoje em dia.

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  4. Grata pela partilha, José! :))
    Boa noite e Boa semana!

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