Quingentésimo ano (109)

Doces e claras águas do Mondego,
Doce repouso de minha lembrança,
Onde a comprida e perfida esperança
Longo tempo apos si me trouxe cego,

De vós me aparto, si; porém não nego
Que inda a longa memoria, que me alcança,
Me não deixa de vós fazer mudança,
Mas quanto mais me alongo, mais me achego

Bem poderá a Fortuna este instrumento
Da alma levar por terra nova e estranha,
Offerecido ao mar remoto, ao vento.

Mas a alma, que de cá vos acompanha,
Nas azas do ligeiro pensamento
Para vós, águas, vôa, e em vós se banha.


Luís de Camões

Comentários

  1. Que lindo José, as memórias voam, para os tempos em que vivíamos junto das águas dos rios onde nos criávamos na infância e que ficam parte de nós. Com este soneto de Camões viajei até aos "doces tempos" da minha infância. Boa quinta-feira.

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    1. É como diz, os rios estavam limpos, hoje não se vê um rio onde se possa beber. Quantas vezes me debrucei sobre riachos, para beber?

      Também lhe desejo uma boa quinta-feira, Sofia!

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    2. José que pena que caminhamos para longe dessa bênção que eram os rios puros, na minha infância no dia da espiga íamos com as mães e avós para junto de um pequeno rio tomar banho, eu e as minhas primas, e depois fazíamos piquenique...era tão bom... Mas fez-me feliz em recordar.
      Hoje em dia já nada está limpo, por duas vezes já levei a minha cadela ao veterinário por ele beber água do rio, e a última vez foi nas férias...enfim...
      Resto de dia muito feliz.

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    3. Não há rosas sem espinhos, temos esgotos, mas as águas das estações de tratamento vão para os rios. Tem de haver mais cuidado com os cursos de água, que são tão importantes para darem de beber a pessoas e animais.

      Noite tranquila, Sofia!

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    4. Tão verdade, noite feliz José.

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  2. Que bom começar o dia com estas leituras que vai partilhando por aqui!

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  3. Respostas
    1. Coimbra tem muito encanto.


      Feliz resto de dia, Isabel.

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  4. Bom dia, Cheia!

    Já publiquei o meu soneto de hoje mas fiquei enlevada com este feito às claras águas do Mondego, evocando o tempo em que Camões estudou na Universidade de Coimbra...

    Já perdi o rumo aos sonetos que tenho meio feitos e por fazer, mas vou levar mais este, com sua licença.

    Um abraço!

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    1. Pode levá-los todos, porque significa que serão tão bem embelezados, que é um regalo ver a que deram origem.

      Um abraço.

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    2. Já deitei tantos meio feitos para o lixo que já me baralhei toda... Creio que tenho, algures, um soneto/resposta já completo, mas ainda não dei com ele... Os meus ficheiros estão numa confusão e tenho de ir ao blog ver qual será o número do próximo diálogo.

      Outro abraço

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  5. As saudades... as lembranças... as doces e boas memórias...

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  6. Grata pela partilha, José! :))
    Resto de dia Feliz!

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  7. Bom fim de semna em harmonia e bom dia pra vocês José
    e ao Luis também

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    1. Muito obrigado, João!

      Bom fim-de-semana para vocês, com saúde e alegria, é o que vos desejamos e o Luís, também.

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