Quingentésimo ano (101)

Despois que vio Cibele o corpo humano
Do formoso Atys seu verde pinheiro,
Em piedade o vão furor primeiro
Convertido, chorava o grave dano.

E, á sua dor fazendo illustre engano,
A Jupiter pedio, que o verdadeiro
Preço da nobre palma e do loureiro
Ao seu pinheiro désse, soberano.

Mais lhe concede o filho poderoso
Que, crescendo, as estrellas tocar possa,
Vendo os segredos lá do ceo superno.

Oh ditoso pinheiro! oh mais ditoso
Quem se vir coroar da rama vossa,
Cantando á vossa sombra verso eterno!


Luís de Camões

Comentários

  1. Grata pela partilha, José! :))
    Resto de dia Feliz!

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  2. Já vai em 101 poemas. Volto a escrever: bonita homenagem que está a fazer, José.
    Quinta-feira feliz.

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    Respostas
    1. Não sabia que Camões tinha escrito tantos sonetos. Parece que deixou obra , para que eu consiga fazer as 366 publicações, sem recorrer a muitos trechos de Os Lusíadas.

      Também lhe desejo uma quinta-feira feliz.

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