Quingentésimo ano (88)
Contente vivi já, vendo-me isento
deste mal, de que a muitos queixar via.
Chamam-lhe amor; mas eu lhe chamaria
discórdia e sem-razão, guerra e tormento.
Enganou-me co nome o pensamento
(quem com tal nome não se enganaria?);
agora tal estou que temo um dia,
em que venha a faltar-me o sofrimento.
Com desesperação e com desejo
me paga o que por ele estou passando;
e inda está do meu mal mal satisfeito.
Pois sobre tantos danos inda vejo,
para dar-me outros mil, um olhar brando,
e para os não curar um duro peito.
Luís de Camões
Muito sofre o nosso Camões.
ResponderExcluirBoa quinta-feira, José.
" Quem se obriga a amar, obriga-se a padecer"
ExcluirBoa Páscoa, Isabel.
"Mal de amores!" Como diria Dona Vintes. Muito sofre Camões!
ResponderExcluirObrigado, José, por nos trazer o extraordinário Camões.
Excelente Páscoa!
"Chamam-lhe amor; mas eu lhe chamaria
Excluirdiscórdia e sem-razão, guerra e tormento."
Bom resto de dia, com saúde e alegria.
Lá está... estamos na semana da Paixão.... faz sentido a partilha!!!
ResponderExcluirBeijinhos e bom feriado!!
Nesta semana faz mais sentido. Mas também o fará todo o ano.
ExcluirTambém lhe desejo um bom feriado, Maribel!
Beijinhos
Grata pela partilha, José! :))
ResponderExcluirBoa noite!
Muito obrigado!
ExcluirNoite tranquila, Zé!