Quingentésimo ano (47)

Que pode já fazer minha ventura
que seja para meu contentamento.,
Ou como fazer devo fundamento
de cousa que o não tem, nem é segura?


Que pena pode ser tão certa e dura
que possa ser maior que meu tormento?
Ou como receará meu pensamento
os males, se com eles mais se apura?


Como quem se costuma de pequeno
com peçonha criar por mão ciente,
da qual o uso já o tem seguro;


assi de acostumado co veneno,
o uso de sofrer meu mal presente
me faz não sentir já nada o futuro.


 


Luís de Camões

Comentários

  1. Respostas
    1. Camões deixou-nos muitas maravilhas.


      Boa tarde e bom fim-de-semana, Maria João!

      Um abraço

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    2. É isso, Cheia: tudo o que saía daquelas abençoadas mãos era perfeito!

      Bom fim-de-semana e um abraço

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    3. Um grande artista.

      Um abraço, Maria João!

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  2. me faz não sentir já nada o futuro....o calo do sofrimento...:))abraço

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  3. Olá José!
    Mais um belo e reflexivo soneto do nosso poeta maior. Será que a habituação ao "veneno" do presente nos vai desensibilizar para o futuro? Na eterna luta do bem e do mal, para qual somos, inevitavelmente chamados, não é possível desistir, pelo menos enquanto formos, e nos sentirmos, vivos, pesem embora os tormentos inerentes.
    Bom fim-de-semana, José.
    Beijinhos

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    1. Olá, Mafalda!

      Bom dia.

      Acho que sim, parece que os genocídios, que estão a acontecer, já não nos incomodam muito.

      Bom fim-de-semana, Mafalda.

      Beijinhos



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  4. Grata pela partilha, José! :))
    Resto de dia Feliz e Bom domingo!

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