O Império
O Império - As teias que o Império teceu
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A Miquelina continuou a contar a sua história, que tanto entusiasmava o filho e os sobrinhos
A explicar-lhes o cuidado que tinha de ter, para que os homens não descobrissem que era mulher
Sempre vestida dos pés à cabeça, com os cabelos bem escondidos, tentado imitar os homens
Não deixou de lhes dizer que tinha sido um grande desafio, de Lisboa a Nagasaki, ida e volta, rodeada de homens, a quem ela tinha de convencer, que era do sexo deles
Tantos dias sem ter com quem partilhar os seus medos, as suas vitórias, as tristezas, as alegrias, coisas que nos ajudam a manter o equilíbrio
Mas, à medida que ia superando as adversidades, mais forte se sentia, o que fez com que perdesse o receio de que não seria capaz de cumprir todas as missões
Ombreou, lado a lado, com os homens em todas as tarefas, levando-a a decidir que, quando chegasse a Lisboa, iria revelar o seu sexo, sem receios, nem medos, porque já tinha provado, a todos, que não era nem mais, nem menos que eles
Acabou a sua exposição, dizendo-lhes que quando chegou a Lisboa foi falar com o Comandante, para lhe revelar o seu sexo. Este ficou estupefacto por não ter desconfiado de nada. Foi nessa altura que a convidou para fazer parte da tripulação da próxima viagem, e que tinha uma missão muito importante para ela
Pediu-lhe para que, enquanto preparavam a futura viagem, tentasse descobrir o que havia para evitar ou curar o escorbuto
Disse-lhes que tinha feito tudo o que estava ao seu alcance, que tinha ouvido bruxos, curandeiros, cientistas, endireitas, barbeiros
Mas, infelizmente, não tinha conseguido encontrar ninguém que conhecesse as mesinhas para escorbuto, que tanto atormentava os marinheiros
Acrescentou que de tempos-a-tempos passava pelo cais, para saber quando tinha de se apresentar, para a próxima viagem
Que no dia em que se apresentou ia muito triste, por não ter conseguido cumprir a missão, mas o Comandante agradeceu-lhe o esforço e disse que talvez lhe tivesse pedido o impossível
Primeiro o filho, depois os sobrinhos, abraçaram-na e beijaram-na, dizendo-lhe que estavam muito orgulhosos da sua extraordinária história
Mas a audiência estava tão entusiasmada, queria que ela continuasse, pediu-lhe para falar da segunda viagem
Vendo a grande curiosidade do filho e dos sobrinhos, decidiu continuar a contar as suas aventuras
Começou por lhes dizer que, como já tinha dito, o Comandante convidou-a para a viagem seguinte, incumbindo-a de tentar saber se havia cura para o escorbuto
Apesar de todos os esforços, não tinha conseguido descobrir nenhum remédio para curar o escorbuto
E, para tentar acabar com a curiosidade deles, acrescentou que tinha prometido, ao Comandante, ter um comportamento exemplar, visto que era a única mulher a bordo
Assim, mesmo depois de namorar com o Ezequiel, dentro do barco, tiveram de manter o comportamento, como se não fossem namorados, e não estivessem a planear deixar o barco, no porto de Luanda, onde esperavam encontrar o Januário, irmão do Ezequiel
O pedido de namoro, a aceitação do mesmo, e o planeamento da saída do barco tinham sido combinados em terra, quando ambos tiveram oportunidade de ir a terra
E deu por terminada a história das suas aventuras
A assistência sorriu, e disse-lhe que em disfarce, ela era uma mestra.
Continua
Uma mulher de armas esta Miquelina!
ResponderExcluirBom dia José!
Uma grande mulher, à semelhança das que surpreenderam o Vasco da Gama, que quando descobriu que tinham tido a ousadia de se infiltrarem na sua armada, as humilhou. Mais tarde arrependeu-se e atribuiu-lhes pensões, para tentar suavizar o erro.
ExcluirResto de dia tranquilo, Ana!
Grata pela partilha, José! :))
ResponderExcluirDia Feliz!
Muito obrigado!
ExcluirResto de dia tranquilo, Zé!
é uma das minhas novelas preferidas
ResponderExcluirobrigada! beijinho e feliz dia, amigo José
Muito obrigado pelas amáveis palavras, Ana!
ExcluirBoa tarde, beijinhos.
Siga a saga...:)))abraço
ResponderExcluirOs Impérios teceram muitas teias.
ExcluirUm abraço.
Olá José!
ResponderExcluirE que bem se tecem as teias do tempo do Império com a época contemporânea, com a alusão ao disfarce, sendo no caso da Miquelina, uma necessidade, uma forma de poder exercer a sua paixão pela arte de marinheiro, e também o início do namoro com o Ezequiel e todo o secretismo a que foram obrigados, tal como ainda hoje em dia acontece em parte do mundo, onde a liberdade de escolher quem se namora, ou sequer poder namorar, é uma impossibilidade.
Quanto a descobrir a origem e tratame ti do escorbuto, não pode a Miquelina fazê-lo, estava fora do seu alcance, mas quem sabe com a partilha destas histórias em família, algum dos descendentes lhe segue os passos na curiosidade e encontra parte da solução?
Muito obrigada pela excelente partilha de mais um capítulo emocionante da saga do Império.
Dia feliz, José!
Beijinhos
Quantas vezes, as mulheres tiveram de usar da sua arte e engenho, para conseguirem os seus objetivos? Porque estavam, e em muitos lugares, ainda, estão proibidas de lutarem pelos seus direitos. Pode acontecer que, os descendentes da Miquelina, consigam ajudar na luta contra o escorbuto.
ExcluirMuito obrigado, Mafalda.
Beijinhos
As mulheres sempre foram peritas a enganar os homens, mesmo que reunidos em missão e em batalhão.
ResponderExcluirComo não era permitido que fizessem parte das tripulações, algumas conseguiram embarcar, disfarçadas de homem.
ExcluirA aventura da Miquelina é fantástica, mas nesta família todos têm muito que contar! É por isso que as teias do império, nunca cansam
ResponderExcluirUma noite tranquila
Muito obrigado, pelas amáveis palavras.
ExcluirTambém lhe desejo uma noite tranquila.
Imparável, a Miquelina. Que mais aventuras a aguardarão. Venha o próximo episódio.
ResponderExcluirBeijinho, querido José.
É um bom exemplo do que são as mulheres portuguesas.
ExcluirBeijinhos, querida Romi.
Raio do Escorbuto
ResponderExcluirque deixava tudo bruto e de luto
Sexta feira
bom e belo fim de Semana
em harmonia pra vocês.
Era uma grande peste.
ExcluirBom dia e boa semana, para vocês, João
A força do ser humano, independentemente do sexo.
ResponderExcluirBom fim de semana, José
Não sabemos a força que temos.
ExcluirBom fim-de-semana, Isabel.
Grande mulher, a Miquelina, vamos ver se consegue a cura para o escorbuto.
ResponderExcluirBeijinhos José
Cura para o escorbuto, é capaz de ser impossível.
ExcluirBom fim-de-semana, Manu!
Beijinhos
E a verdade é que houveram várias Miquelinas na história que fizeram feitos semelhantes, pelas exigências da época. Mas é sempre bom recordar uma vida de memórias junto da família. Bom domingo, José!
ResponderExcluirNuma das viagens do Vasco da Gama, acho que foram quatro que embarcaram como se fossem homens, quando foram descobertas, ele humilhou-as. Mais tarde arrependeu-se e deu-lhes pensões, para tentar remediar o erro.
ExcluirBom domingo, Inês!
Não sabia dessa, mas é uma história bem própria da época. Vá lá que tem um final menos infeliz.
ExcluirUma Mestra, de facto! Ah, grande Mulher! E grande estória que dá gosto vir ler.
ResponderExcluirTudo de bom, caro amigo. Obrigada por mais esta partilha.
Bjs
Muito obrigado.
ExcluirNoite tranquila, Olga!
Beijinhos
Muito obrigado.
ExcluirNoite tranquila, Olga!
Beijinhos
A Miquelina representa muito a coragem e a força de agarrar as adversidades sempre de cabeça erguida.
ResponderExcluirExcelente semana.
A Miquelina é muito corajosa e experiente.
ExcluirNoite tranquila.