Quingentésimo ano (32)
O retrato de Vénus
Os crespos fios d'ouro se esparziam
Pelo colo, que a neve escurecia;
Andando, as lácteas tetas lhe tremiam,
Com quem Amor brincava, e não se via;
Da alva petrina flamas lhe saíam,
Onde o Menino as almas acendia;
Pelas lisas colunas lhe trepavam
Desejos, que como hera se enrolavam.
C'um delgado sendal as partes cobre,
De quem vergonha é natural reparo,
Porém nem tudo esconde, nem descobre,
O véu, dos roxos lírios pouco avaro;
Mas, para que o desejo acenda o dobre,
Lhe põe diante aquele objeto raro.
Já se sentem no Céu, por toda a parte,
Ciúmes em Vulcano, amor em Marte.
Pelo colo, que a neve escurecia;
Andando, as lácteas tetas lhe tremiam,
Com quem Amor brincava, e não se via;
Da alva petrina flamas lhe saíam,
Onde o Menino as almas acendia;
Pelas lisas colunas lhe trepavam
Desejos, que como hera se enrolavam.
C'um delgado sendal as partes cobre,
De quem vergonha é natural reparo,
Porém nem tudo esconde, nem descobre,
O véu, dos roxos lírios pouco avaro;
Mas, para que o desejo acenda o dobre,
Lhe põe diante aquele objeto raro.
Já se sentem no Céu, por toda a parte,
Ciúmes em Vulcano, amor em Marte.
— Os Lusíadas, Canto II
O Camões épico já não é a mesma coisa... Mas o caro Amigo faz muito bem em evocar os 500 anos. Serviu muito no séc XIX, mas com intuitos políticos. Agora passa despercebido.
ResponderExcluirUm abraço
Mesmo que não seja a mesma coisa, merece ser lembrado. Mas os jovens políticos não o devem ter lido.
ExcluirUm abraço.
Por cá continuamos a seguir as pegadas de Camões.
ResponderExcluirBom dia, José.
Grato, por continuarem a acompanhar, as as bonitas palavras, que Camões nos deixou, para serem lidas e relidas, ao longo dos séculos.
ExcluirFeliz resto de dia, Isabel.
Quando escrevi seguir as pegadas (pisadas) naturalmente não quis atrever-me na comparação ou pretensão de me achar capaz de escrever bem.
ExcluirQuis tão simplesmente dizer que o seguia a si e aos sonetos e demais versos de Camões com gosto.
Julgo que posso contar com a sua compreensão, José. Obrigada.
Sei que escreve bem e é muito exigente consigo. Percebi que continuam a seguir as pegadas de Camões, porque merecem ser seguidas.
ExcluirAcho que percebi o que quis dizer, e estou-lhe muito grato por me seguir.
Pode contar com a minha compreensão, assim como espero contar com a sua.
Noite tranquila, Isabel.
Não direi que siga as pegadas de Camões, mas faço coro com ele na musicalidade, ou na métrica que, na sua faceta épica, é exactamente a mesma que usa na lírica dos seus sonetos: a medida nova ou o verso decassilábico heroico.
ResponderExcluirFoi uma delícia revisitar o Retrato de Vénus, Cheia! Obrigada!
Outro abraço
É muito bom reler estas delícias.
ExcluirBom fevereiro, Maria João.
Um abraço.
Ainda me recordo de receber alguns olhares furiosos das minhas colegas de turma quando o professor anunciava que ia haver ponto sobre Camões, Cheia.
ExcluirFosse épico ou heroico, eu adorava escrever sobre a poesia do Luís Vaz e elas não gostavam nada, achavam tudo muito complicado. Como eu ficava toda contente, as mais audazes olhavam-me como se eu fosse responsável pela própria existência de Camões, rsrsrsrs
Outro abraço
A interpretação da obra de Camões é muito difícil, e para quem não gosta de poesia, ainda mais.
ExcluirUm abraço.
Ah, Cheia... acredito que até possa não ser fácil, mas é fascinante! Não sei se a garotada de hoje ainda divide orações, coisa que podia assustar muitos, mas que era - e ainda é - importantíssimo para uma boa compreensão da língua escrita...
ExcluirEu adorava dividir as oitavas camonianas em orações. Para mim era sempre uma alegria olhar e ver/descobrir o caminho exacto que as palavras percorriam por dentro de cada estrofe, cruzando-se por vezes, empurrando-se e contradizendo-se noutras...
Cá vai outro abraço
Para si, que tão bem escreve sonetos, era uma alegria. Mas, para as outras era um quebra cabeças.
ExcluirMais um abraço.
Tadinha de mim que era muito severa para comigo mesma e, nesse tempo, me considerava demasiado estúpida para poder escrever sonetos... Mal sabia eu...
ExcluirE ainda outro abraço
Uma Vénus de se lhe dizer um poema...:)))abraço
ResponderExcluirUma Vénus de incendiar os céus.
ExcluirUm abraço.
Obrigada pela partilha!!
ResponderExcluirFeliz fevereiro!!
Beijinhos!!
Muito obrigado pela visita.
ExcluirBoa noite e bom fevereiro, Maribel!
Beijinhos
Grata pela partilha, José! :))
ResponderExcluirBoa noite!
Muito obrigado!
ExcluirNoite tranquila, Zé!