O Império

O Império  -  A teias que o Império teceu


43


Em tempo de paz, os agenciadores de escravos, os pumbeiros, vasculhavam o sertão angolano comprando os prisioneiros de tribos rivais


Nas idas e vindas ao interior, levavam cerca de 150 escravos, para carregarem as mercadorias usadas como pagamento


Demoravam cerca de um ou dois anos nas jornadas e voltavam com filas de 500 a 600 escravos


Nas guerras de captura, os capitães partiam acompanhados por centenas de soldados europeus, mulatos brasileiros ou mesmo angolanos


Enfrentavam as tribos e escravizavam os homens capturados. Em Luanda, os cativos ficavam em grandes barracões, esperando o embarque


Quando os navios demoravam para os transportarem, os escravos trabalhavam na plantação e cultivo da mandioca


A comodidade, fundada pelos dois casais, contribuiu para que os seus membros tenham tido bons rendimentos e um grande melhoramento no seu nível de vida, conseguiram acabar com a fome e construíram cubatas mais confortáveis


O facto de se entre ajudarem, fez com que tudo mudasse, ninguém ficava entregue à sua sorte, o problema de um, era um problema de todos


Como todos os pais, todos queriam uma melhor vida para os filhos, mas era tão difícil  encontrar quem soubesse ler, quanto mais quem ensinasse


A ambição dos dois casais era que os seus filhos aprendessem a ler e escrever, mas constataram que esse seu sonho não era realizável, portanto, o melhor era ensiná-los a trabalharem a terra, aproveitando a experiência das mães, a Rosinha e a Miquelina, que eram duas competentes produtoras de alimentos


Os dois primeiros padres da Companhia de Jesus chegaram à Ilha de Luanda, em fevereiro de 1575, tinham saído de Lisboa, acompanhados de Paulo Dias de Novais, em  23 de setembro de 1574


Em 1580, chegaram a Luanda 2 missionários Jesuítas, em 1584 outros 2 e, em 1593, mais 4


Em 1590, os cristãos eram cerca de 20.000


Uma vez que estava fora de hipótese a Leopoldina, o Roberto e o Zacarias aprenderem a ler e escrever, o melhor seria toda a família dedicar-se à agricultura, onde já tinham uma boa capacidade de produção


A Rosinha, que era a mais experiente no cultivo da terra, estava interessada em aumentar a produção, e para isso contava com a opinião do marido, da cunhada e do cunhado, em conjunto, queria que tentassem criar novos utensílios e novos métodos de produção


Também queria que ouvissem os miúdos, porque não se deve desperdiçar nenhuma boa opinião.


Continua


 

Comentários

  1. Interessantes relatos José
    mas com a chegada dos Jesuitas
    alminhas aflitas
    Belo dia pra vocês.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nem os Jesuítas lhes valeram, porque, também, eles foram grandes negociantes de escravos.
      Um bom dia, com frio e alegria, para vocês, João.

      Excluir
  2. O retrato de uma família unida!
    Feliz dia José!

    ResponderExcluir
  3. Fazer da comunidade uma família alargada, só pode ser um bom passo!
    Dia bom

    ResponderExcluir
  4. Que tristeza, ter de abdicar-se do sonho de encontrar quem ensinasse os filhos a ler...

    Um abraço, Cheia

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A minha mãe dizia, com grande tristeza, que não sabia uma letra, nem e no tamanho de um boi. Há um século, neste cantinho abençoado, muitos não tinham direito de ir à escola, porque não havia escolas para todos.
      Um abraço, Maria João

      Excluir
    2. Peço desculpa, mas escaparam-me alguns comentários que, com a chegada de outras notificações, ficaram abaixo do meu campo de visão.
      Sei bem quão elevado era o nível de analfabetismo em Portugal quando eu nasci, na década de 50 do século passado.
      Por esta hora deve estar a dormir e eu também deveria estar, mas hoje estou cheia de tosse, ainda que me deitasse, não conseguiria dormir.
      Um abraço

      Excluir
  5. Pensarmos nós que depois destes acontecimentos a escravatura tinha sido abolida e bem, deparamo-nos agora com as estufas alentejans, onde a escravatura moderna continua, com o mesmo intuito e com a mesma indiferença.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Há chagas que, infelizmente, não passam de moda: as guerras, a ganância, a escravatura

      Excluir
  6. Foram precisos séculos para que se concretizasse a democratização da alfabetização no mundo desenvolvido. África teve de esperar mais e ainda hoje tem graves dificuldades nessa matéria.
    Um dia bom, José.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A minha mãe não sabia ler, só foi um dia a casa de uma Mestra, depois não pôde ir, porque teve de cuidar dos irmãos. não havia escola oficial.
      Bom resto de dia, Isabel.

      Excluir
    2. Na minha infância conheci várias pessoas que não sabiam ler nem escrever. Uma delas uma sábia de quem eu gostava muito e ainda hoje recordo com saudade.

      Excluir
    3. As mulheres foram as mais sacrificadas, até diziam que as mulheres não precisavam de ir à escola.

      Excluir
  7. Mas mesmo se quisessem aprender a ler, onde aprender? Muito difícil. Não era para todos esse privilégio.
    Sexta-feira feliz.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ainda hoje, muitas crianças não vão há escola, por diversos motivos. A minha mãe não sabia ler, não havia escola oficial, só foi uma dia a casa de uma Mestra, nunca mais lá
      voltou, porque teve de tomar conta dos irmãos..
      Também lhe desejo uma sexta-feira feliz.

      Excluir
    2. As mulheres eram as mais sacrificadas, pois ficavam com as tarefas de ajuda à família: cuidar dos irmãos. Aprendiam algumas a costurar e a bordar, mas a maioria começavam na labuta do campo com 10 0u 11 anos.
      As minhas avós não sabiam ler (uma não aprendeu pois não queria ir à escola) em compensação tinha um único bisa que sabia ler. Tinha outra condição social.
      Dia feliz.

      Excluir
    3. As mulheres continuam a ser as sacrificadas: em muitas partes do mundo não vão à escola, nos países ditos evoluídos, quando se divorciam, são elas que criam os filhos, .....
      Bom resto de dia.

      Excluir
  8. Grata pela partilha, José! :))
    Boa noite!

    ResponderExcluir
  9. Olá José, boa noite!
    Realidades que não são presença apenas no Império desse tempo, mas infelizmente, continuam a existir no mundo de hoje, onde em tanto lado ainda é prática comum impedir a aprendizagem e a alfabetização, por falta ou como meio, como forma de manietar a liberdade e o acesso ao conhecimento , mantendo a desigualdade, seja por motivos económicos, religiosos ou culturais.
    Obrigada pela partilha de mais um capítulo do Império, José!
    Beijinhos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Infelizmente, assim é, e as mulheres são as mais discriminadas.
      Boa noite, Mafalda!
      Beijinhos

      Excluir
  10. Pessoas de bom senso. Precisamos disso por cá!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Por cá, temos muitos sábios, não querem ouvir ninguém.
      Bom fim-de-semana, Isabel.

      Excluir
  11. Continuo a seguir a saga...:)))abraço e bom fim-de-semana

    ResponderExcluir
  12. Desejo que continuem a cultivar a terra com bons resultados. Saúde e Paz!

    ResponderExcluir
  13. Assusta-me e comove- me comércio de escravos.
    Ainda bem que há outras coisas boas a acontecerem.
    Beijinhos José

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Felizmente, já deixaram esse negócio.
      Boa semana, Manu!
      Beijinhos

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Lua Cheia

A candeia!