O Império

O império – As teias que o Império teceu


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Finalmente, a casa de Luando ficou pronta, os dois casais mudaram-se para a capital da colónia


À Rosinha custou-lhe muito deixar a sua terra, a mãe e as irmãs, a quem pediu para continuarem a fabricar a sua lavra


Ficou com mais tempo para se dedicar à filha e ao filho, uma vez que, para além da lida da casa, dividida com a cunhada, nada mais tinha para fazer


O bom rendimento do negócio dava para os dois casais viverem bem, ainda que as mulheres continuassem a dizer que não queriam, por muito mais tempo, viver da compra e venda de escravos


 Mas, por mais que puxassem pela cabeça, não encontravam nada que, de um momento para o outro, pudesse dar um rendimento, que lhes permitisse continuarem com a boa vida de Luanda 


Sem resposta, comprometeram-se a procurar uma solução.


O negócio do açúcar, que tanta mão-de-obra necessitava, foi o grande incremento da escravatura, instalado, no Brasil, com o auxílio de capital holandês, porque os senhores dos engenhos só conseguiram desenvolver o negócio, com dinheiro emprestado pela Holanda, que também participava na refinação do açúcar e na sua distribuição, pela Europa


A parceria entre Portugal e a Holanda correu bem até à perda da independência de Portugal, uma vez que a Holanda estava em guerra com a Espanha


Com a coroação de Filipe II, os holandeses foram excluídos das suas atividades no Brasil, chegando a ordenar o confisco de embarcações holandesas, que estavam em Lisboa, por diversos anos


Os holandeses resolveram reagir, para defenderem os seus interesses económicos


Em 1595, embarcações holandesas saquearam o porto português de São Tomé e Príncipe  


Em 1604, atacaram a cidade Salvador, a primeira capital do brasil, mas fracassaram


 Em 1621, os holandeses fundaram a Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais, a quem foi atribuída a responsabilidade pelo desenvolvimento de um empreendimento colonial holandês, nas Américas, tendo como objetivo controlar a produção de açúcar, no Brasil e os postos de comércio de escravos, em África


Em 1630, os holandeses levaram mais de 7.000 homens para atacarem Olinda, que foi conquistada a 14 de Fevereiro desse ano


Entre 1630 e 1637, os holandeses lutaram continuamente contra os portugueses


Um dos seus aliados foi o português Domingo Fernandes Calaba, que se passou para o lado holandês.


 


Continua


 


 


 


 

Comentários

  1. Grata pela partilha, José! :))
    Dia Feliz!

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  2. Olá José, que voltas e reviravoltas tem a história e a política entre os países, ontem irmãos, amanhã concorrentes, ou pior, inimigos!
    Assim são as aventuras do Império, obrigada pela partilha, ficamos a aguardar que as mulheres consigam resolver este assunto da abolição do tráfico de escravos, numa reviravolta... histórica pelo menos para estas famílias agora a viverem em Luanda.
    Um beijinho, boa quinta-feira, José! 💕🐦

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    1. A história tece muitas teias, os países tão depressa são amigos, como são inimigos, como está a acontecer com a Rússia e a Ucrânia.
      Feliz noite, Mafalda!
      Beijinhos

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    2. Verdade, José, infelizmente.
      É a natureza do Homem estas contradições, o que tem de bom e nos faz ficar orgulhosos de pertencer a esta grande humanidade sobre a terra, também tem o seu reverso, causando Tantas tristeza, destruição e no caso, escravatura e exploração dos mais frágeis e desprotegidos.
      Um beijinho, José. 💕🐦

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    3. Nem precisávamos das catástrofes naturais Mas nós, ainda, lhes acrescentamos mais umas.

      Beijinhos, Mafalda.

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  3. Estes filipes eram uns gananciosos, ainda bem que foram recambiados em 1640...
    Eu continuo do lado Rosinha, contra a escravatura. Considero admiráveis as pessoas que no tempo em que um escravo era considerado uma "ferramenta animada, mas sem alma" conseguiam pensar de forma diferente e compreender a crueldade subjacente a tudo isto.

    Vivam as Rosinhas desse e deste tempo!

    Um abraço, Cheia!

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    1. Aqueles 60 anos foram uma grande calamidade, que nos aconteceu. Felizmente, que os conseguimos expulsar.
      Em todos os tempos existiram pessoas, que conseguiram distinguir o que é certo do que é errado.
      Bom resto de dia, Maria!
      Um abraço

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    2. Triste é que tantos tenham pagado com a vida a ousadia de apontar o que estava errado, Cheia...

      Bom resto de dia e um abraço!

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    3. É quase sempre assim! Quantos perderam a vida ou ficaram para sempre inválidos, por causa da ditadura do Salazar? Foi um grande azar!
      Boa tarde, Maria.
      Um abraço.

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  4. São as amarguras da história do doce açúcar
    Uma boa tarde

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    1. Nunca podemos dizer que estamos bem, porque de um momento para o outro, acontece uma catrástrofe, uma invasão, e a nossa vida fica virada de pernas para o ar ou pode mesmo acabar.
      Feliz resto de dia.

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  5. Histórias do arco da velha
    que se lêem com curiosidade José.
    Bela tarde com alegria.

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    1. Histórias que o Império teceu.
      Boa noite, para vocês, com saúde e alegria, João.

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  6. Mais uma excelente narrativa.

    Boa noite, José. Beijinho grande.

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  7. Respostas
    1. São as teias, que a nossa história teceu.
      Boa noite, Di!
      Beijinhos

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  8. Grandes reviravoltas que estão a acontecer.
    Estou a gostar.
    Beijinhos José

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    1. As reviravoltas vão continuar, porque quando estamos bem ha-de acontecer qualquer coisa para acabar com a boa vida.
      Bom fim-de-semana, Manu
      Beijinhos

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  9. bom dia, José!
    primeiro um pouco do conto
    e em seguida uma interessante lição de História
    obrigada! gostei de saber!
    beijinhos e dia feliz

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    1. São muitas, as teias que o Império teceu.
      Bom fim-de-semana, Ana!
      Beijinhos

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  10. Este Império dava para um livro!
    Vamos lá ver se as mudanças vão ser benéficas aos dois casais.
    Tem um bom dia, José.

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    1. A mudança até pode ser benéfica, o que vem a seguir é que não é nada benéfico.
      Bom dia, Isabel!

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  11. Extremamente interessante!
    Dia feliz!

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  12. tenho de cá voltar com mais frequência, para não ter de ler muitas páginas seguidas. Continuação de boas escritas

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    1. Muito obrigado pela visita e de se dar ao trabalho de ler as teias, que o Império teceu.
      Bom domingo.

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  13. Obrigado, José, ficámos a saber mais umas coisas sobre esses tempos.

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    1. Muito obrigado pela visita.
      Bom resto de dia com saúde e alegria.

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  14. Os holandêses gostavam de se instalarem onde já havia o negócio em andamento.
    Excelente sexta-feira.

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    1. É por isso que eles vivem bem, e nós continuamos os mesmos pobretanas.
      Bom resto de dia.

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