O Império

O Império – As teias que o Império teceu


 


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Frei Luís Brandão escreveu a um jesuíta, que questionou a legalidade da escravatura dos nativos angolanos: ” Estamos aqui há quarenta anos e tem havido muitos homens instruídos aqui e na colónia do Brasil que nunca consideraram o comércio ilícito."


Acrescentando que apenas um pequeno número de nativos teria sido escravizado


Angola terá exportado 10.000 escravos por ano


Mesmo que nem todos tenham aderido ao pedido do governador, para que fugissem para o Forte de Massangano, este não conseguiu albergar a multidão, muitos ficaram fora do Forte, ocupando o espaço à sua volta


O Januário, o irmão e outros foram incumbidos de organizarem e ajudarem na defesa do Forte, a pedido Governador


Às mulheres pediu-lhes que se dedicassem às lavras, para que pudessem alimentar toda aquela gente


A Rosinha disse-lhe que tinha trazido algumas sementes, que iria semear, para obter mais sementes e, assim, conseguirem produzir quanto fosse possível


De seguida pediu à Miquelina que a ajudasse na organização de uma reunião com todas as mulheres, para distribuírem as tarefas, de modo a que todas participassem e se sentissem mobilizadas para a nobre missão de alimentar tantas bocas


Tinham de formar equipas, trabalhar por turnos, escolher as que ficariam encarregues de tratar das crianças, não lhe faltavam tarefas


A cultura do amendoim tinha de ser guardada, todo o dia, assim que o amendoim estivesse quase formado, para que os macacos não se antecipassem a colhê-los


Muita gente, em pouco espaço cria, sempre, atrito, que foi atenuado por terem de estar unidos contra a ocupação dos holandeses


Um ano antes da ocupação de Lunda, pelos holandeses, o Forte de Massangano tinha  sido  atacado pelas forças da rainha Nzinga, sendo as suas duas irmãs, Cambu e Fungi, feitas prisioneiras, a última das quais foi executada em agosto de 1641


Com a ocupação de Luanda pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, Massangano passou a funcionar como capital de Angola


Devido à sua posição estratégica, perto da confluência de dois rios, torna-se a povoação mais importante do interior, centro do comércio e das operações militares, que se faziam na Jamba, Dong, Libolo.


 


Continua


 


 

Comentários

  1. Olá José!
    Foi um novo capítulo para Luanda, que deixou de ser capital, sendo substituída por Massango.
    Impressionante esta força e coragem que os povos encontram para a reconstrução e pensarem no futuro mesmo depois de grandes tragédias, da ainda mesmo enquanto estão a acontecer. Vejo isso hoje em dia, e a minha admiração por essas pessoas e pela sua resiliência é enorme.
    Parabéns por mais esta excelente partilha das aventuras e desventuras do Império, José.
    Beijinho🐦

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    1. Foi um rude golpe, principalmente, para os brasileiros, por o seu progresso depender do negócio da escravatura, que passou para as mãos dos holandeses.
      Feliz dia, Mafalda!
      Beijinhos

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  2. bom dia! que bom! adorei que os irmãos e as esposas estejam a cuidar e proteger os angolanos. gostei muito da reviravolta. parabéns! é de mestre!
    beijinhos e feliz dia

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  3. A escravatura é das figuras mais tristes da história humana.
    Cumprimentos poéticos

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    1. Sem dúvida! Mas, infelizmente, continua com outras roupagens.
      Cumprimentos e que tenha muita inspiração, para os seus excelentes poemas.

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  4. Parabéns por nos trazer importantes mensagens construtivas, através destas narrativas de Angola.
    Saúde, Paz, Poesia e Alegria!

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    1. Muito obrigado, por seguir estas teias, que tiveram batalhas sangrentas, para mim , desconhecidas.
      Bom dia com saúde e alegria!

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  5. Bela partilha..:)))abraço e dia tranquilo

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    1. Muito obrigado.
      Também lhe desejo um dia tranquilo.
      Um abraço.

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  6. Que pena a Rosinha e a Miquelina não se terem cruzado com a Rainha Jinga. Talvez a história fosse outra
    Uma boa tarde

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    1. Quem sabe! A Rainha Jinga não era flor que se cheirasse, tinha um harém de jovens Jagas, (canibais) que a defendiam com unhas e dentes.
      Também lhe desejo uma boa tarde.

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  7. A escravatura muda tudo.
    Felizmente as mulheres organizam bem o trabalho de equipa e plantam o mais necessário.
    Gostei de ler mais este capítulo.
    Beijinhos José

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    1. A ocupação de Luanda, pelos holandeses, virou-lhes as vidas do avesso.
      As mulheres foram heroínas no planeamento e produção de alimentos.
      Feliz resto de dia, Manu!
      Beijinhos

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  8. Este entrelaçar de relatos de vidas anónimas com o que a História registou é interessantíssimo, Cheia.
    Tanto quanto recordo, a rainha Dzinga conseguiu abrir caminho à fuga e libertação de muitos escravos...

    Abraço

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    1. Muito obrigado por me dar essa pista. Tenho de ir pesquisar. É natural que ela defendesse os seus compatriotas.
      Bom resto de dia, Maria!
      Um abraço.

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    2. Não tem de quê, Cheia.
      Também eu preciso de arranjar um pouco de tempo para pesquisas, que isto são memórias muito antigas e já meio apagadas pelos anos...
      Boa noite e outro abraço

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    3. Para ir escrevendo estas teias, sou forçado a pesquisar, e estou surpreendido com o que tenho lido, não imaginava que o negócio da escravatura tivesse dado tanta luta.
      Boa noite e um abraço.

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    4. O negócio da escravatura provocou muitas lutas porque dava - e infelizmente ainda dá - muito lucro. Mas também os escravos deram luta, quase sempre pagando com a vida a sua tentativa de se libertarem ...

      Outro abraço, Cheia

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    5. Deve ter sido um negócio muito rentável. Foram os fazendeiros brasileiros, que se juntaram e pagaram as expedições para expulsarem os holandeses de Luanda, porque os seus ricos engenhos não funcionavam sem mão de obra negra.
      Um abraço, Maria!

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    6. Era como máquinas que os brancos viam os seus escravos... e como tal eram tratados.
      Por muito que nos custe a acreditar, este cancro social ainda não foi erradicado...

      Um abraço, Cheia

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    7. Eram os motores dos engenhos: o que os fazia funcionar.
      Boa tarde, Maria!
      Um abraço.

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    8. Exactamente, Cheia: eram a sua força de trabalho, a sua forma de terem uma vida confortável graças ao esforço de outros seres humanos considerados "inferiores". De certa forma, uma espécie de proto nazismo.

      Boa tarde e um abraço!

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  9. A Rosinha lá conseguiu voltar à agricultura, como queria. Felizmente que conseguiram outra fonte se sustento.
    Resto de dia feliz.

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    1. Os holandeses viram-lhes as vidas do avesso. Foram anos muito difíceis, porque o Forte esteve muitas vezes sitiado pelos jovens jagas (canibais) do harém da rainha Nzinga.
      Feliz noite.

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  10. E após tantos anos e peripécias, ainda hoje os homens não aprenderam o respeito pelo seu semelhante.
    Esperemos por mais episódios.

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    1. Continuamos com a mesma ganancia, capazes de passar por cima de seja quem for, para atingirmos os nossos fins.

      Boa noite, Isabel!

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  11. A cada post fica-se ainda mais sedento pelo próximo!
    Muito obrigada José!

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  12. As estórias que vamos colhendo com estes episódios de história.
    Obrigado.

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    1. Também estou surpreendido como que vou lendo, nas pesquisas, que faço, para ir escrevendo estas teias.
      Fico contente por seguir este enredo.
      Boa noite

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  13. Muita história por contar
    que o saber não ocupa lugar José
    Bom fim de Semana
    com saúde e alegria pra vocês.

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    1. Tantas histórias dentro da história.
      Bom fim-de-semana, para vocês, com saúde e alegria, João!

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  14. Mais um excelente capítulo da (desta) história. Ainda hoje, na mesa do almoço, falei no papel de Portugal na escravatura e em como, enquanto miúda, a ler os Maias não entendi, realmente, o que faziam aqueles navios negreiros...

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    1. Foi um grande negócio, para muitos.
      Boa semana, Inês!

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  15. Um delicia este "o Império" e este acompanhamento cronológico é de facto soberbo, bem hoje já consegui recuperar mais uns post como o tinha feito a uns dias atras, deixando o comentário, para não me perder também ;)
    Repito amigo José, que maravilha de leitura, um dia por certo voltarei a ler tudo de uma assentada
    Abraço cúmplice

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    1. Muito obrigado, pelas amáveis palavras e pelo interesse por estas teias.
      Boa noite, caro Amigo.
      Um abraço.

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