O Império

O Império – As teias que o Império teceu


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O Januário e a sua Rosinha continuavam muito felizes, por em breve terem nos seus braços o seu primeiro rebento, toda família partilhava dessa imensa felicidade


O Soba, depois de o conhecer melhor o Januário, pediu-lhe para o ajudar nas contas com o negócio dos escravos, nos quais também estava envolvido


Luanda teve um papel importante nos negócios da escravatura, por ser uma das mais importantes feitorias portuguesas na costa africana, fazendo com que fosse um centro de formulação e execução de operações militares contra reinos africanos


Foi, também, uma base de intensa diplomacia entre africanos e europeus


Os escravos podiam vir de prisioneiros de guerra, comprados por traficantes, ou por meio de emboscadas


Os escravos eram levados a pé até aos portos, onde eram revendidos aos europeus, a troco de mercadorias importantes como: tabaco, cachaça, pólvora


 Eram marcados a ferro quente para se saber a que comerciante pertenciam


Os barcos que os transportavam eram conhecidos por tumbeiros, por muitos morrerem na viagem


Três anos depois de o Januário ter deixado Lisboa, nasceu a primeira filha da Rosinha e do Januário, chamaram-lhe Leopoldina, toda a família ficou muito feliz com a chegada de mais um membro para a família, que vinha ganhando notoriedade desde que o Januário se tinha associado ao Soba, no negócio da escravatura


A armada, que tinha permitido ao Januário a grande aventura de ter ido ao Oriente, já tinha atracado em Lisboa, depois de terem descansado três meses em Angra do Heroísmo, Nos Açores


Foram recebidos em festa, toda a cidade acorreu ao cais, para aplaudirem os valentes homens, que tinham ido tão longe e passado tanto tempo no mar


Mal sabia a multidão que uma mulher, também tinha participado, sem que ninguém tivesse descoberto que era mulher


O irmão do Januário, o Ezequiel, mais novo dois anos, que tinha ficado em Lisboa, porque tinha de tomar conta da mãe deles, que entretanto morrera, também estava entre a multidão, junto à saída do barco, onde o irmão tinha embarcado


Já tinham saído quase todos, e o irmão não aparecia, resolveu perguntar, a um grupo que acabara de abandonar o barco, se conheciam o Januário, e se sabiam alguma coisa dele


Disseram-lhe que tinha ficado em Luanda, nada que o irmão não temesse, uma vez que, na despedida, lhe tinha dito que queria tentar a sua sorte numa Colónia


Como não tinha mais nenhum familiar, pensou em ir ter com o irmão, mas para isso tinha de tentar fazer como ele tinha feito.


Continua


 


 

Comentários

  1. Começo a sentir estas personagens como velhos conhecidos: felicidades para a Leopoldina e boa sorte para o Ezequiel
    Agradeço a partilha e desejo um bom feriado

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    1. Muito obrigado pelas felicitações.
      Também lhe desejo um bom feriado.

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  2. E as teias continuam a ser tecidas...

    Um abraço, Cheia!

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    1. Foram muitos séculos de teias.

      Bom feriado, Maria!
      Um abraço

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    2. Muitos, sim!
      Bom feriado chuvoso e um abraço

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  3. Uma saga que todos devemos lembrar...não para criticar...mas para saber como eram os tempos da escravatura...que era a realidade desses tempos....:)))abraço e bom fim-de-semana

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  4. Leopoldina: nome bonito e adaptado ao ambiente africano. Boas peripécias.

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    1. Foi o que gerou consenso .
      Bom feriado, com saúde e alegria.

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  5. Muito obrigado, pela visita, Ana!
    Bom feriado.
    Um abraço.

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  6. Tempos tristes
    mas a leitura é clara e de bons contornos

    Bela tarde pra vocês, com alegria José.

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    1. Volta e meia, a história tem periodos tristes, como o atual, por causa das guerras, que são como os incêndios, apagam-se uns, reacendem-se outros.
      Feliz resto do dia, para vocês, com saúde e alegria, João.

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    2. Bom fim de Semana
      que embora o dia esteja molhado
      seja também um belo dia pra vocês José

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    3. Muito obrigado, João.

      Um bom fim-de-semana, também, para vocês, com saúde e alegria.

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  7. Cá continuamos a segui-lo, José.
    A vida é feita de episódios sobre gente de carne e osso como o Januário, da construção e destruição de elos entre elas, das suas alegrias e sofrimentos, mais do que doutrinas e teorias que dividem o mundo entre bons e maus.
    Um beijinho. Bom feriado.

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    1. Sem dúvida, por vezes as circunstâncias é que fazem de nós santos ou demónios.
      Bom resto de feriado, Isabel.
      Beijinhos

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  8. Olá José!
    Parabéns pelas teias deste Império, agora de regreso à nossa Lisboa, deixando por terras de Angola a nova personagem Leopoldina, para encontrarmos o Ezequiel e também uma figura misteriosa, a mulher que também andou nestas teias sem que nunca reconhecesse como tal, será que estas novas personagens se vão encontrar?
    Obrigada pela partilha de mais um emocionante episódio das aventuras do Império, onde a linha entre o bem e o mal, entre o acaso e o plano tão bem mostram a importância da história, culturas e sociedade de então.
    Um bom feriado, José.
    Beijinhos 🐦

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    1. É possìvel que se encontrem todos, em África.
      Muito obrigado pela visita, Mafalda.
      Também lhe desejo um bom feriado.

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  9. A novela da vida real de tantos...
    Bom fim de semana, José.

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  10. Mias um relato desta história que venho acompanhando
    Gosto muito, José

    Beijinhos
    Feliz Dia

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  11. A família será sempre o apoio....

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    1. Sem dúvida! A família é a bóia onde prendemos o barco.
      Bom fim-de-semana.

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  12. Esta da mulher intrigou-me, já que o Januário está a fazer pela vida como fizeram muitos portugueses (e ainda fazem) fora do seu país. Cheira-me a que aparecerão mais surpresas.

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    1. Foi um grande desafio, para ela, conseguir fazer aquela viagem, sem que ninguém tivesse descoberto que era mulher, o que fez com que o Comandante a tivesse convidado para a próxima viagem.
      Bom fim-de-semana.

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  13. Estas teias continuam a prender a minha atenção.
    Grata pela partilha.
    Beijinhos José

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    1. Fico contente por continuar a seguir as teias, que o Império teceu.
      Beijinhos, Manu

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