O Império

O Império – As teias que o Império teceu


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A boa disposição e o ânimo com que saíram da Ilha de Moçambique não durou muitos dias, à medida que se iam aproximando do cabo das agulhas, onde o Índico e o Atlântico se encontram, as dificuldades aumentavam, fazendo com que vissem, novamente, as suas vidas em perigo


O desejo de chegarem a Luanda era muito grande, pisar terra trazia sempre muita alegria, tornava-se em mais uma conquista


O Januário estava apreensivo, com receio que a sua decisão não fosse a melhor, mas não ia alterá-la, iria cumpri-la, dentro do possível, como tinha sido delineada


Os dias passavam, e só se via água, uma tempestade pôs fim aos dias calmos, a passagem do Índico para o Atlântico era sempre uma grande aventura


Outra vez mastros partidos, velas rasgadas, dois marinheiros, que tentavam reforçar um mastro, caíram ao mar e ninguém mais os viu


Foi mais um acidente, que muito entristeceu todos os que o presenciaram, sabiam que havia muitos perigos nestas viagens, mas não estavam preparados para perderem a vida 


Quem participava nestas viagens queria fama, glória, fortuna, para além dos que eram levados à força, alguns, retirados das prisões


Também havia muitos voluntários, homens e mulheres que gostavam de participar nestas aventuras, que queriam testar as suas capacidades, desafiar os perigos, como se não houvesse limites, mas elas tinham de se disfarçar de homem, porque não eram permitidas mulheres a bordo


Naquela emergência e aflição de consertar mastros e velas, Januário descobriu que quem o estava a ajudar a reparar uma vela era uma mulher, ficou surpreendido com a descoberta, mas fingiu não se ter apercebido de nada, queria passar o mais despercebido possível, para que quando chegassem a Luanda, e abandonasse o barco, não dessem pela sua falta


Luanda foi fundada a 25/01/1576, pelo fidalgo e explorador Paulo Dias de Novais, com o nome de “São Paulo da Assunção de Loanda “


Luanda tornou-se a partir de 1627 o centro administrativo da região, que se começou a chamar de Angola


Luanda tinha cerca de mil colonos, entre civis e militares, a prioridade era a construção de um ou mais fortes, para a defesa da cidade


Mais de sete meses depois de saírem de Nagasaki, finalmente chegara a Luanda, estavam todos cansados de ver mar, de passar fome e sede


Foram muitos o perigos que tiveram de enfrentar, os medos que tiveram de vencer, porque o mar é uma imensidão de água, que nos está sempre a surpreender.


Continua


  


 

Comentários

  1. Interessante saga. A gente aprende consigo, caro Amigo.
    Um bom dia. Abraço

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    1. Poucos ou nenhuns terão uma História tão rica como a nossa.
      Bom dia caro Amigo.
      Um Abraço

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  2. Bom dia
    Um pouco de história, de gente brava e destemida, de vidas perdidas, da fundação de Luanda,
    Gostei de ler.
    Ana

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    1. Muito obrigado, Ana!
      Dêmos muitos mundos ao Mundo.
      Feliz dia.

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  3. Respostas
    1. Eram viagens muito perigosas, que provocaram muitos mortos.
      Boa dia, Ana.
      Beijinhos

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  4. Um dia bom para o José e Januário.
    Continuamos a segui-los com interesse e expectativa.
    Beijinho.

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    1. Agradecemos o interesse por estas teias, que o Império teceu.
      Feliz dia, Isabel.
      Beijinhos

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  5. Grata pela partilha, José! :))
    Dia Feliz!

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  6. Já sabe que gosto muito de ler O Império, e hoje trouxe mais uma personagem interessante. Será que vem aí, uma espécie de Antonia Rodrigues?
    Uma tarde muito boa

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    1. Fico muito contente por estar a gostar. Já Tinha ouvido falar da Antonia Rodrigues. A sua pergunta obrigou-me a ir aprofundar a vida dela, acontece que viveu no reinado de Filipe II de Portugal, que fez uma lei para tentar evitar mulatos, no Reino.
      Como estas teias não têm rigor histórico e estão em construção, poderá ser uma ótima personagem.
      Assim, agradeço que tenha falado na heroína Antonia Rodrigues.
      Feliz resto de dia.

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  7. Gosto do mar quando tenho os pés em terra ou quando a terra está à vista e perto. Percebo o Januário,também eu ficava logo na primeira terra que estivesse ali à mão para por o pé.
    Ainda bem que continua.

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    1. Somos um país de marinheiros. Mas, o Januário quer terra firme e uma companheira.
      Boa noite.

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  8. Olá José!
    Que bela história, e que bela reviravolta esta que parece fazer adivinhar neste Império o despontar de outro tema, o do amor? Será? Vou ficar na expectativa da continuação desta intrigante trama da aventura do Januário pela história do Império.
    Boa noite.
    Beijinhos, José!🐦

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    1. O amor está sempre presente, mesmo que Filipe II de Portugal tenha tentado evitar que nascessem Mulatos.
      Feliz noite, Mafalda!
      Beijinhos

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    2. Verdade, reparei e anotei esse pormenor deveras cruel, para posterior referência.
      Obrigada, igualmente, boa noite José!
      Beijinhos

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    3. Fez publicar em 1620 uma cruel lei, nesse sentido.

      Feliz dia e bom fim-de-semana, Mafalda.
      Beijinhos

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  9. A história está muito empolgante José
    e quando mete saias ui ui
    Fim de Semana no ar
    que com bom sol é que é bom
    bom e belo dia com alegria
    e fim de Semana pra vocês também.

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    1. As saias estão a chegar, porque não há nada como uma boa companhia.
      Um bom fim-de-semana, para vocês com saúde e alegria, João.

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  10. Tempos difíceis! E hoje queixam-se tanto...

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    1. Hoje, as mãezinhas descascam-lhes as maçãs e as laranjas até aos 30 anos.
      Feliz dia , Isabel!

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  11. Gosto muito de ler estas empolgantes aventuras..
    Beijinhos José

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  12. obrigada, amigo José! este post é serviço público!
    beijinhos e dias felizes

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