A sedutora

Lisboa! A sedutora


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A guerra, primeiro em Angola, depois na Guiné e em Moçambique, veio ajudar a transformar o País


Com, cada vez, mais homens mobilizados para as frentes de combate, as mulheres tiveram de ocupar os postos de trabalho, que os homens já não podiam assegurar


Foram mobilizados homens, que já tinha cumprido a vida militar há 10 anos ou mais, como oficiais milicianos, que tinham as suas vidas organizadas, obrigaram-nos a deixar o emprego, as mulheres e os filhos, graduaram-nos em capitães, comandavam uma companhia, e eram eles que com sargentos e praças iam para o mato


As Escolas Práticas e outros centros de formação de oficiais milicianos não conseguiam mobilizar os jovens suficientes para oficiais, porque eram poucos os que tinham, pelo menos o sétimo ano do liceu, para poderem ir para o curso de oficias milicianos


Em 1968, nas Caldas da Rainha, nos cursos de instruendos para sargentos, finda a recruta, os oficiais pediam para os elementos de cada pelotão, por voto secreto, escolhessem três camaradas para irem para o curso de oficiais milicianos, a escassez obrigou à criação da exceção


Não eram só os militares que tinham dificuldades em recrutar homens com estudos.


Também as empresas não conseguiam encontrar trabalhadores qualificados, para os seus quadros, algumas davam formação, pós laboral aos seus trabalhadores e pagavam-lhes aulas em institutos e escolas de línguas, para aperfeiçoarem, principalmente, o inglês


Algumas empresas, de representações de produtos estrangeiros, tinham dificuldade em satisfazer os pedidos dos seus representados, para que se deslocassem às suas fábricas, técnicos para formação, no sentido de prestarem melhor assistência, pós venda, por não saberem inglês  


A forte emigração, nos anos 60 e 70, também contribuiu para um grande desenvolvimento com o envio das suas poupanças para o nosso País. Todos tinham a ambição de mandarem construir vivendas, nas suas terras natal


A construção civil teve um grande incremento, bem como os Bancos, que com as remessas


dos emigrantes, tiveram de admitir muitos trabalhadores, quase só homens, mas a pouco-e-pouco as mulheres foram chamadas para mais setores de atividade


A nacionalização dos Bancos, devido ao golpe militar do 11 de Março de 1975, contribuiu para que as bancárias e bancários, que vieram das antigas colónias, tenham sido integrados nos bancos nacionais


A descolonização não foi perfeita, mas foi a possível, poderia ter sido diferente, se tivesse acontecido antes dos movimentos de libertação terem iniciado a guerra


Todos os que abandonaram as antigas colónias e vieram para Portugal, apesar de terem passado por muitas dificuldades, foram integrados e contribuíram para a dinamização do País


Somos um País pequeno e pobre, mas um povo grande e acolhedor.


Continua


 

Comentários

  1. E era mesmo assim
    porque quem de si bate-se o pé
    ia pró xilindró contar os dias sem fim
    Bom de ler e reavivar a memória José, belo Feriado pra vocês.

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    1. Bom dia, João!
      Não se podia piar, até se dizia: "se pias, embarcas"
      Um feliz dia para vocês, com saúde e alegria.

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  2. Nesses anos cultivava-se o obscurantismo e além disso as famílias eram muito pobres, ninguém tinha possibilidade de colocar os filhos a estudar. Ainda hoje sofremos por causa desses 48 anos de estagnação. Abraço e dia tranquilo

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    1. Era uma grande miséria, tínhamos uma taxa enorme de analfabetismo.
      Bom dia e um abraço

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  3. Excelente partilha. Obrigada por isso.
    Bom feriado, José. Beijinho grande.

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  4. Respostas
    1. A tua cidade é uma grande sedutora. Já reparaste como ela está a seduzir todo o mundo?
      Boa tarde, Di!
      Beijinhos

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    2. A tua cidade está a seduzir mais gente, e de todo o mundo!

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  5. Que relato incrível, José
    Eu revejo algumas situações das que descreves aqui na Madeira

    Beijinhos
    Bom Feriado

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  6. Excelente partilha, José!
    Bom feriado!

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  7. Continuo a ler com gosto este seu périplo pelo passado, José.
    Bom resto de feriado. Um beijinho.

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  8. Opiniões muito acertadas. Realço os três últimos parágrafos. Saúde e Paz!

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  9. Tenho de ler os anteriores.
    Adoro ler esta realidade crua do nosso antigamente que não foi assim à tanto tempo.
    Excelente sexta-feira.

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    1. Muito obrigado pelas amáveis palavras.
      Feliz fim-de-semana.

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  10. Bom fim de Semana com alegria
    em boa harmonia pra vocês José.
    Belo dia que a fantasia de Natal, anda no ar.[º<:}}}]

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    1. Muito obrigado, João!
      Um bom fim-de-semana, para vocês com saúde e alegria.

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  11. A realidade pura e dura. É o nosso passado que aí está. Podia ter sido melhor, mas foi assim...
    Bom fim-de-semana

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    1. O passado passou, temos é de ser mais assertivos no futuro.
      Boa tarde e bom fim-de-semana, Isabel!


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  12. Este é assunto que me toca diretamente e gostei da forma como o apresentou
    Olhando para trás, chega a parecer impossível tudo aquilo ter acontecido em tão pouco tempo. Ao que parece, terão sido cerca de 600 mil os portugueses que regressaram a Portugal na sequência do processo de descolonização e em muito poucos anos a integração estava concluída, adultos com casa e emprego e crianças e jovens nas escolas.
    Como o José muito bem referiu, "não foi perfeita, mas foi a possível".
    Bom descanso José.

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    1. Tenho pena que não tenha sido diferente. Mas para isso teria de ser antes da guerra começar e, quanto a mim, se tivéssemos proposto aos dirigentes dos movimentos de libertação, que estudavam na metrópole, uma transição pacífica, que teria de ser de 10 a 20 anos para a criação de um exército nacional, e mesmo assim não sei se daria certo.
      Fiz 26 meses de comissão em Angola, de 1969 a 1971, e estou convicto de que, depois do 25 d Abril já não tínhamos autoridade para fazer melhor.
      Bom resto de noite, Isa.

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