A sedutora
Lisboa! A sedutora
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As cidades são como as pessoas, vão envelhecendo, mas ao contrário das cidades, que raramente perdem o brilho, as pessoas não o conseguem conservar
Lisboa está tão diferente do que era antigamente, há menos de um século, está irreconhecível!
Era uma cidade triste, sem cor, onde não havia liberdade, havia medo de falar, não podíamos a nossa opinião revelar, não se sabia quem nos estava a espiar, uma cidade só para nacionais, transformou-se numa cidade universal, vestiu-se de novas cores, desabrochou, tornou-se numa bonita flor
No final dos anos cinquenta ainda havia algumas carroças pela cidade que, a pouco-e-pouco, foram totalmente substituídas pelos carros: a praga que não para de crescer, sufocando as cidades e as estradas, tornado o ar irrespirável, como aconteceu na avenida da Liberdade, em Lisboa
Não podemos passar sem eles, transformaram-se numa ferramenta de trabalho, tal como o computador e o telemóvel
A esperança está na nossa capacidade de inovação, fazendo-nos acreditar que em breve acabaremos com os motores de combustão. Mas não tenhamos ilusão, os desafios continuarão
Em 1958, ainda, havia uma olaria ao cimo da rua da Imprensa Nacional, mas o plástico viria para ficar e tornar-se numa das maiores invenções, e a olaria foi substituída por uma loja de plásticos
Nesse ano, o General Humberto Delgado, sem saber proferiria a sua sentença de morte, ao responder à pergunta dos jornalistas, o que faria a Salazar, se ganhasse as eleições presidências, que se supõe ganhou, cuja resposta foi: “obviamente, demito-o”
Mais tarde, disse que o regime só cairia com um golpe militar, o que veio a acontecer em 25 de Abril de 1974
Daí em diante tudo se precipitou, graves acontecimentos marcaram o País: a 25/01/1961 foi assaltado o paquete Santa Maria, a 4/02/1961, teve início a guerra em Angola, em dezembro do mesmo ano a União Indiana anexou o Estado Português da Índia: Goa, Damão e Diu, a 28/05/1963, no trigésimo sétimo aniversário da revolução de 1926, que deu origem ao Estado Novo, coincidência ou sabotagem, a cobertura das plataformas da estação ferroviária do Cais do Sodré, em Lisboa, abateu, causando 49 mortos e 69 feridos, a 13/02/1963 foi assassinado, pela PIDE, em Badajoz, o General Humberto Delgado, a 17/05/1967 foi assaltado o Banco de Portugal, na Figueira da Foz
Lisboa, também, atraiu alguns Galegos, que procuraram, na nossa capital, uma vida melhor Eram donos de restaurantes, num deles tive oportunidade de ver que tinha um osso de vaca, preso ao teto, que descia para a panela da sopa, quando ela estava a ferver, para dar gosto, depois voltava a subir para perto do teto, não sei quantas vezes deu gosto à sopa
Também se destacaram como moços de fretes. Havia muitas mudanças, principalmente, as mulheres gostavam muito de mudar de casa, para transportar as mobílias, que eram muito pesadas, e os pianos, recorriam aos moços de fretes, em grande parte, Galegos
O que deu origem a que, quando alguém pedia a outro para carregar um peso considerado demasiado, o outro perguntasse: “sou algum Galego?”
Um serviço leve e muito bem pago, para o qual, também, eram muito solicitados, era a entrega de cartas em mão, com a recomendação de que só as entregassem aos destinatários. (“cartas de amor, quem as não tem?”)
Continua
A olaria, as carroças puxadas por animais e o osso a dar sabor à sopa são lembranças que só fazem saudades. De tudo, creio ainda ter visto carroças. E grandes rebanhos de ovelhas junto à Cidade Universitária ainda nos Anos 80.
ResponderExcluirUm abraço caro Amigo
Tudo acabou, só a saudade ficou.
ExcluirBom dia, caro Amigo
Um abraço
Lisboa é uma cidade ímpar. AMO LISBOA
ResponderExcluir.
Cumprimentos poéticos
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De acordo! Lisboa é uma rosa amorosa.
ExcluirBom dia. Cumprimentos.
Excelente partilha, José!
ResponderExcluirDia Feliz!
Muito obrigado!
ExcluirFeliz dia, Zé!
Que maravilhosa partilha, José! Fico à espera da continuação! E adorei a história do osso da vaca na sopa!
ResponderExcluirFeliz dia!
Muito obrigado!
ExcluirFeliz dia, Ana!
Uma partilha maravilhosa cheia de história.
ResponderExcluirGosto muito destas partilhas, José
Beijinhos
Feliz Dia
Muito obrigado!
ExcluirBoa tarde, Luísa!
Beijinhos
O rolo compressor da vida (antiga ou moderna) vai apagando as provas de outros tempos, sobra a história e as estórias - como a(s) sua(s) - para repor em palavras os tempos que se perderam. Sobra a imaginação de cada um de nós, para transformar as palavras em imagens.
ResponderExcluirGostei da imagem do rolo compressor. É como se fossemos imprimindo anos, com os nossos corpos.
ExcluirRecordações e boa memória
ResponderExcluirfazem sempre uma boa história
prós que virão José
Bela tarde pra vocês, que foi bom ler estas palavras.
Muito obrigado, João!
ExcluirUma boa noite para vocês, com saúde e alegria.
Gostei de ler e espero por mais!
ResponderExcluirUma boa noite
Muito obrigado!
ExcluirBom fim-de-semana.
Lindaaa
ResponderExcluirMuito obrigado, Di!
ExcluirBom fim-de-semana!
Beijinhos
Caro Zé, as cidades perdem o brilho, mas as pessoas podem conservá-lo . Adorei conhecer a história dos Galegos. E é muito bom viajar nesta transformação da cidade de Lisboa. Um grande abraço
ResponderExcluirMuito obrigado!
ExcluirBom fim-de-semana, João!
Um abraço
Belo texto...e essa do osso é mesmo de galego...:))abraço e bom fim-de-semana
ResponderExcluirMuito obrigado.
ExcluirBom fim-de-semana.
Um abraço
Essa do osso da vaca... é mesmo do Eça! Bons passeios pelo passado de Lisboa. Saúde e boas castanhas!
ResponderExcluirEste ano, castanhas boas ainda não vi, ou não as há, ou foram para quem pode pagar mais.
ExcluirBom fim-de-semana, com saúde e alegria.
Adoro ler estes bocadinhos de história que o José nos traz - muito do que não aprendemos na escola. Bom sábado!
ResponderExcluirMuito obrigado!
ExcluirBom domingo e boa semana, Inês!
Bom serviço do galego...
ResponderExcluirBeijinhos
Era um serviço muito importante: entregar em mão as cartas de amor.
ExcluirBeijinhos