Pais (9)
País (9)
Depois de ouvirem, com toda a atenção, os pais, tanto a Inês, como o Pedro perguntaram-lhes o que se podia fazer, para inverter a situação
Os pais disseram-lhes que pouco se podia fazer, porque os portugueses, para além de serem aventureiros, procuravam fazer fortuna fácil, viver de expedientes, não se importando de entregarem as suas poupanças a quem lhes prometesse melhor taxa de juro, sem quererem saber como o dinheiro era aplicado, para render o dobro do que era normal, convivem bem com as desigualdades, a corrupção, a cunha, não tendo brio no cumprimento das suas obrigações, vangloriando-se de não pagarem os impostos
Mas, se queriam fazer alguma coisa para inverter a situação, primeiro tinham de dar o exemplo, não fazendo nada que, moralmente, fosse condenável
Depois, tinham de se aplicar nos estudos, para poderem colocar os seus conhecimentos ao serviço do desenvolvimento do país, com a condição de que beneficiasse os mais desfavorecidos
Chamaram-lhes, mais uma vez, a atenção para as grandes desigualdades entre as cidades e o campo
Nas cidades, a maior parte dos habitantes têm emprego certo, férias, viajam pelo país e estrangeiro, ainda que alguns aproveitem as férias para fazerem outros trabalhos, porque os ordenados não chegam para as despesas, e outros, sem emprego, vivem da caridade
Nos campos, muitos não têm férias, não viajam, num país com muitas praias, nunca foram à praia, nem nunca puseram um pé num avião ou num barco
A luta por melhores condições de vida, de quem trabalha por conta de outrem, tem sido longa e dura
Primeiro foi a conquista das oito horas diárias de trabalho (48 horas por semana)
Depois a obtenção da semana à inglesa, de segunda a sexta, 40 horas, ao sábado, das 9 às 13 (44 horas)
A seguir a semana à americana (descanso ao sábado e domingo)
Alguns, já conseguiram 7 horas diárias (35 horas semanais)
Fala-se na semana de 4 dias, o que é muito bom, porque precisamos de tempo, para viver, e é possível, porque com as novas tecnologias, somos muito mais produtivos
A Ana e o Francisco disseram-lhes que o país, só depois da Revolução de 25 de Abril de 1974, se tornou num país democrático e, só com a Constituição de 1976, as mulheres obtiveram o direito a votarem, nem mesmo com a implantação da República, em 1910, o tinham conseguido
Um país com muitos analfabetos, em que só uma minoria tinha direito à instrução
Com o fim da segunda guerra mundial, os Governantes, viram-se obrigados a criarem escolas, em todo o país
Como não tinham nem professores nem escolas, decidiram criar postos escolares, até em casas particulares, e formaram professoras regentes, que tinham menos estudos que as professoras oficiais
Muitos pais não queriam mandar os filhos à escola, porque contavam com o trabalho dos filhos mais velhos, para ajudarem a criar os mais novos
Os casais tinham muitos filhos, as raparigas eram as mais sacrificadas, começavam com poucos anos a ajudarem as mães
Às que mostravam interesse em ir para a escola, era- lhes dito que as mulheres não precisavam de saber ler, nem escrever, tinham era de aprender a fazer a lida da casa
A Inês e o Pedro estavam horrorizados com o que os pais lhes tinham revelado, e disseram: “ ainda bem que nascemos quando já não havia essas desigualdades entre homens e mulheres!”
Continua
De tirar o chapéu ao exposto José
ResponderExcluirBom dia com alegria
boa Semana pra vocês
que o Sol é bom e porfia.
Muito obrigado pelas amáveis palavras, João.
ExcluirUma boa semana, com saúde e alegria, para vocês.
Aproveitem o sol de inverno, que nos está a levar para o inferno.
Um Portugal desanimador.
ResponderExcluirBoa semana caro Amigo.
Uma abraço.
Infelizmente, tem sido assim ao longo dos séculos!
ExcluirTambém lhe desejo uma boa semana, caro Amigo.
Um abraço.
Parabéns aos Pais do Pedro e da Inês, pela Pedagogia. E ao José, através do Cheia, por ser o Arauto das Mensagens. Muita Saúde e que não deixemos o tempo voltar para trás. "Que para trás... a burra"!
ResponderExcluirMuito obrigado pelas encorajadoras palavras.
ExcluirBoa semana, com saúde e alegria.
Um fiel retrato da realidade, José...
ResponderExcluirBoa semana!
Muito obrigado, Zé!
ExcluirBoa tarde!
Até eu já nasci numa época muito melhor.
ResponderExcluirLembro-me dos meus pais me relatarem o quando tudo era muito duro e difícil na juventude deles!
Beijinhos, José
Feliz Dia
Felizmente, os tempos têm mudado, para que não tenhamos saudades do passado.
ExcluirBoa tarde e beijinhos, Luísa!
E incrivelmente, pelas histórias que conheço, e pelas que tu próprio conheces, não foi há muito tempo. Foi ali, ao virar da esquina.
ResponderExcluirSão relativamente recentes, mas muitas pessoas desconhecem-nas.
ExcluirBom fim-de-semana, Isabel!
Boa tarde!
ResponderExcluirUma realidade, até relativamente recente, mas ainda desconhecida .
Feliz semana
Tem razão, muitas pessoas desconhecem esta realidade que, como diz, é relativamente recente!
ExcluirTambém lhe desejo uma feliz semana.
Obrigado!
ExcluirEu é que agradeço a visita.
ExcluirFeliz resto de dia.
A dura conquista de direitos que muitos desconhecem... :-\
ResponderExcluirBoa semana! abraço
Sem dúvida! Têm sido arrancados a ferros.
ExcluirBoa noite e um abraço.
Magnífico. As desigualdades de hoje são instrumentalizadas para ganharem o voto e não as resolver efectivamente.
ResponderExcluirExcelente semana🌻🍀
Muito obrigado pela visita.
ExcluirBom fim-de-semana!
Ainda as há, as tais desigualdades, mas não são tão gritantes. A grandeoral deste texto maravilhoso é que não sabemos a sorte que temos por termos nascido fora de uma época de guerras e num país desequilibrado mas com paz e com um horizonte ilimitado (pelo menos eu tive, mesmo tendo nascido no seio de uma família com dificuldades e disfuncional há 33 anos). Grande abraço
ResponderExcluirOutros tempos, talvez não tão longínquos dos atuais.
ResponderExcluirMagnífico!
Tarde feliz José
Muito obrigado!
ExcluirBoa trade.
Um Portugal ainda com muitas desigualdes.
ResponderExcluirUm texto muito bem escrito e com uma realidade muito fiel.
Excelente texto José
Beijinhos
Sem dúvida! As desigualdades são gritantes, com quase meio século de democracia, não se compreende tamanho fosso.
ExcluirBoa tarde, Manu!
Beijinhos
Que histórias sempre tão verdadeiras que nos deixas, José!
ResponderExcluirUm abraço e uma noite bonita
Muito obrigado!
ExcluirTambém te desejo uma boa noite, Daniela.
Um abraço
Um retrato bem fiel...
ResponderExcluirTempos muito difíceis!
ExcluirMemórias José
ResponderExcluirSim, memórias de tempos difíceis.
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