A calma

A calma


Ruas perfumadas, flores caiadas


No calor da cal branca das casas


O sol fica nas entradas


Enquanto os habitantes


Dormem a sexta acalorada


Na hora da sexta o sol queima o ar


Ninguém o consegue respirar


Os 45 graus centígrados queimam as cordas vocais


Os postigos, de castigo, ficam fechados


Até a calma passar


Só mais tarde voltam aos poiais


 Para porem as notícias em dia


Não há jornais nem telefonia


São os vendedores ambulantes, que as trazem


Frescas ou atrasadas, são com atenção escutadas


Todas as populações gostam de estar informadas


Na lonjura das estradas as notícias ficavam desgastadas


Mas, para quem não as conhecia, estavam, sempre, em dia


Nos tempos em que o mundo dormia


Não se vivia na agonia de ver desgraças todo o dia


As de mais longe nem se sabia


Tudo, a outra velocidade, corria


 Não, por todos, se sofria


Como, hoje, acontece.


 


José Silva Costa


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 

Comentários

  1. "O sol fica nas entradas
    Enquanto os habitantes
    Dormem a sesta acalorada"

    este tempo que descreves, faz parte do meu tempo. belas memórias. obrigada.
    beijinhos e dias felizes

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ainda bem que tens boas recordações desses tempos, porque " recordar é viver"
      També te desejo dias felizes, Ana!
      Beijinhos

      Excluir
  2. Tão verdade, José...
    Dia Feliz e Boa semana!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigado, Zé!
      Também lhe desejo um feliz dia e uma boa semana!

      Excluir
  3. Poema assertivo, muito bonito de se ler. No Alentejo, com mais ênfase, é isso mesmo o que se passa
    .
    Cumprimentos
    .

    .

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigado. As temperaturas estão constantemente a bater recordes.
      Desejo-lhe uma excelente semana.
      Cumprimentos.

      Excluir
  4. Boa semana José.
    Eu agradeço os meus 22°!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Também te desejo uma boa semana, Isabel!
      Por aqui não sei quantos são, mas calor não tenho tido.

      Excluir
  5. Calor bem caracteristico do Baixo Alentejo
    Excelente dia

    ResponderExcluir
  6. De facto nesses tempos vivia-se muito mais devagar...mas o poema fala do alentejo, onde no verão são impossíveis as pressas...:))) abraço e boa semana

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Com temperaturas tão altas, as pressas são impossíveis.
      Boa semana.
      Um abraço

      Excluir
  7. Um desespero camuflado e sossegado... :_\
    Boa semana!

    ResponderExcluir
  8. Escaldante o calor alentejano em que todos se recolhiam até uma aragem mais fresca chegar
    Gostei da comparação entre o tempo que mediavam as notícias antigamente e velocidade como chegam rapidamente nos dias que correm, basta ligar a Tv.
    Belo poema!
    Beijinhos José

    ResponderExcluir
  9. Tempos que só quem os viu
    os pode descrever assim

    Bom dia pra vocês
    que com alegria
    será um belo dia José

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bom dia, João!
      Um bom dia para vocês com saúde e alegria!

      Excluir
  10. Que belo poema. Faz-me lembrar uma frase do meu falecido avô: "Ler o jornal para quê?? è tudo notícias de ontem!!"

    ResponderExcluir
  11. "Nos tempos em que o mundo dormia
    Não se vivia na agonia de ver desgraças todo o dia"
    E se é uma agonia para os mais sensíveis! Talvez seja para evitar essa agonia que tanta gente nada quer saber ou fazer, preferindo ficar-se pelas suas próprias "desgraças"...
    Bom descanso José.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É como diz, Isa! Eu continuo a carregar as desgraças de todos.
      Feliz resto de dia!

      Excluir
  12. De facto, com estas temperaturas, tem mesmo que ser tudo nas calmas...
    E se é uma agonia as noticias constantes, durante todo o dia que nos chegam dos "quatro cantos do mundo". E a impotência que me assola por, por vezes, nada poder fazer...
    Um dia feliz.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não nos bastava o calor, ainda temos os incendiários a queimarem tudo!
      Uma feliz noite.

      Excluir
  13. Passei para lhe desejar um dia iluminado
    Beijinhos José

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigado!
      Também lhe desejo um excelente dia!
      Beijinhos Manu

      Excluir
  14. Sempre a encantar quem lê, sempre a encantar-me a mim! Adorei, querido José, poesia em pessoa! Muitos beijinhos, tarde linda, meu amigo!

    ResponderExcluir
  15. "Nos tempos em que o mundo dormia
    Não se vivia na agonia de ver desgraças todo o dia"

    tantas verdades
    beijinhos e sonhos risonhos

    ResponderExcluir
  16. Aquelas tardes de calor vieram-me à memória..onde não se vê ninguém na rua..onde conseguimos olhar no horizonte e ver o calor..Belas sonecas aos domingos debaixo da ventoinha eheh

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Em dias de muito calor, as pessoas são o brigadas a recolherem-se em casa.
      Boa semana, Daniela!

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Lua Cheia

A candeia!