Amor & guerra (15)

Amor & guerra (15)


A Bárbara estava desesperada, já receava que tivesse acontecido com o Firmino, o mesmo que aconteceu com o Carlos, que não voltasse a vê-lo!


Seria preciso tanto tempo para ir, a Luanda, dizer aos pais, que tinha encontrado a mulher com quem sempre sonhara e queria viver!


Por momentos esqueceu as nuvens negras que a afligiam, pegou na sua linda Sara e beijou-a


como se fosse a primeira vez que a via, como se nunca tivesse reparado que era linda!


 


Aproximava-se o dia de poderem visitar o Carlos, pais, namorada e filho tiveram de apanhar o comboio, de véspera


Os pais apanharam a camioneta para Braga, onde entraram no comboio, para Santa Apolónia, em Lisboa


A namorada e o filho também entraram em Braga, e foram para a mesma carruagem, onde já estavam os pais do Carlos


Mal o comboio iniciou a marcha começaram as conversas entre os quatro. O Miguel, muito falador, nada envergonhado, começou a falar com a avó, sem que nenhum soubesse que se tratava de familiares


Depois foi a vez, da mãe entrar na conversa, a mãe do Carlos perguntou-lhe pra onde iam


Miquelina respondeu-lhe que iam para Lisboa, ver o namorado, que tinha vindo ferido, de Angola


A mãe do Carlos disse que também iam ver o filho, o Carlos, que também foi ferido em Angola


A Miquelina achou muita coincidência e disse que o namorado também se chamava Carlos, e que era de Vieira do Minho. Abriu a carteira e mostrou a fotografia, e a futura sogra disse que aquele era o filho dela. O marido disse: “o nosso filho!”


Miquelina disse: “ muito prazer em conhecê-los, o Miguel é vosso neto”


Mariana disse que o filho nunca lhe tinha falado em namoradas, quanto mais em netos


João disse que ele era tal e qual o Carlos, quando era da idade dele


Mariana não queria admitir que a Miquelina fosse namorada do filho, nem que o Miguel fosse seu neto, e perguntou à Miquelina, como é que o Miguel era seu neto, se o filho já tinha ido para Angola, há tanto tempo?´


Miquelina disse-lhe que tinha sido no último dia, antes de embarcar


Mariana disse que eram umas desavergonhadas, por fazerem isso, sem serem casadas, e que só acreditava, quando ouvisse da boca do filho


João tentou acalmá-la, dizendo se não via que ele era muito parecido com o pai!


Mas, Mariana não queria saber disso, não admitia que o filho tivesse tido relações com aquela rapariga, antes do casamento, e perguntou-lhe onde é se tinham conhecido


Miquelina disse-lhe que se tinham conhecido em Lisboa, quando era criada de servir e ele trabalhava nas obras, e que já namoravam há muitos anos


Mariana disse que o ela tinha feito era “prendê-lo” antes de ele embarcar. Mas, lá na terra havia raparigas que estavam interessadas nele, raparigas que sabiam trabalhar no campo, muito diferentes das da cidade, que não sabiam fazer nada


Miquelina tentou defender-se, dizendo que a culpa não tinha sido dela, que tudo fez para que não tivessem relações sexuais, antes do casamento. Mas, no último momento, tanto a pressionou, e como estava tão desesperado por ir para a guerra, que ela acabou por ceder


A conversa fez com que nem dessem pela passagem do tempo. Depois, acabaram por cada um adormecer para seu lado. Miquelina apertou o filho contra o peito, estava com medo que alguém lhe fizesse mal, mesmo a dormir ninguém lho conseguia tirar dos braços


Quando chegaram a Lisboa, parecia que a Mariana já estava mais conformada com a escolha do filho, mas não perdoava àquela rapariga, o facto de lhe ter tirado o seu filhinho. Ainda tinha de lhe perguntar, como é que ele se tinha deixado enganar, por aquela rapariga!   


 


Continua


 


 


 

Comentários

  1. Grata por mais esta partilha, José! :))
    Dia Feliz!

    ResponderExcluir
  2. Era mesmo assim.
    E as sogras quase sempre mais assanhadas do que os sogros.
    Um abraço.

    ResponderExcluir
  3. Respostas
    1. Algumas eram! É preciso que as futuras sogras sejam diferentes.

      Boa tarde!

      Excluir
    2. Não tinha o que dizer da minha, sempre foi muito minha amiga. Infelizmente, faleceu no outono passado.

      Boa tarde!

      Excluir
    3. A minha, ajudou-nos muito.

      Feliz noite

      Excluir
  4. Ai a mentalidade naquele tempo ... ainda hoje se verifica nalguns sítios do campo

    Beijinhos José
    Feliz Dia

    ResponderExcluir
  5. Hoje em dia ainda a sogras (o nome é muito depreciativo) que agem desta forma, como se os filhos fossem sua propriedade... ora uma atitude destas, só precipita os acontecimentos.

    Beijinhos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tens toda a razão! Há mães que não conseguem dar autonomia aos filhos, querendo-os debaixo das suas saias.

      Beijinhos

      Excluir
    2. Essa atitude castradora, da origem a adultos dependentes e mal formados.
      Beijinhos

      Excluir
    3. Sem dúvida! Muitos rapazes não conseguem ser felizes, nem fazer nenhuma rapariga feliz, porque não se conseguem libertar das saias das mães.
      Feliz dia!
      Beijinhos

      Excluir
    4. Conheço alguns adultos maduros, nessa situação.
      Beijinhos

      Excluir
    5. Também eu! O que é uma pena, porque os anos passam e eles não os vivem.

      Beijinhos

      Excluir
    6. Achas que percebem? Estão tão enebriados naquele "amor" doentio que tenho dúvidas.
      Beijinhos

      Excluir
    7. Não sei! O que sei, é que algumas mães portam-se como se fossem namoradas deles, e lhes dizem : " vê lá se arranjas uma namorada, que não goste de mim"

      Beijinhos.

      Excluir
    8. Que não gostem delas? Que tontice!
      Feitios...
      Beijinhos

      Excluir
    9. Mas, o que é que queres, nem sequer pensam na felicidade dos filhos, são dum egoísmo, que só pensam nelas e acham que os filhos são sua propriedade!

      Beijinhos

      Excluir
    10. Tocaste no ponto!
      Isso mesmo, os filhos são a sua propriedade.
      Beijinhos

      Excluir
    11. Obrigada para ti também
      Beijinhos

      Excluir
  6. Ora aí está! Vamos ver como se desenrolam as coisas no futuro. Votos de saúde para todos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Era bom que conseguissem viver em paz!
      Feliz resto de noite com muita saúde.

      Excluir
  7. Coisas e mentalidades da época José

    Bom fim de Semana com alegria pra vocês

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Cada época com a sua meta.
      Bom fim-de-semana com saúde e alegria, para vocês.

      Excluir
  8. A minha sogra era uma porreiraça. Para ela eu tinha sempre razão.
    A Minha mãe para a nora era ao contrário. Ela tinha sempre razão e o culpado era sempre o filho.
    Bom Domingo.
    Grande abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Assim ficava equilibrado, uma defendia-o, a outra condenava-o.
      Bom domingo.
      Um abraço.

      Excluir
  9. Sogras eheheh
    Já esperava por este encontro..mas tanta coincidência era impossível..quero ver quando chegarem todos lá a pedir explicações

    ResponderExcluir
  10. Quando souber o que aconteceu ao filho na guerra, será que a senhora deixa de lado o rancor pela Miquelina?
    Estive ausente, mas já coloquei em dia o Amor e Guerra.

    Resto de noite feliz.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigado pela visita! Acho que sim, que vai deixar o rancor de lado.

      Resto de noite feliz e boa semana!

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Lua Cheia

A candeia!