Amor & guerra (11)

Amor & guerra (11)


 


Em 1963, o país estava muito atrasado. Só tinha Universidades em Lisboa, Coimbra e Porto


O ensino estava dividido em ensino: Liceal, Industrial e Comercial


Uma década depois, (1973) as empresas continuavam a não ter, no mercado, trabalhadores com as qualificações de que necessitavam


Algumas grandes empresas tinham escolas próprias, para formarem os seus quadros, fora do horário de trabalho, dando preferência aos adolescentes, que contratavam a partir dos doze anos


Assim, como também tinham colónias de férias, para os filhos dos seus trabalhadores


No litoral Sintrense havia três grandes colónias de férias, para os filhos dos trabalhadores das empresas: Caminhos de Ferro Portugueses, Shell e Companhia União Fabril


Tínhamos, como hoje, bons técnicos, mas que não sabiam falar línguas, o que causava problemas às empresas portuguesas, representantes de fabricantes de eletrodomésticos e outros equipamentos, que pediam, aos seus concessionários, técnicos para estagiarem nas suas fábricas


Os institutos de língua inglesa tinham como alunos, muitos técnicos, que precisavam de saber inglês, para fazerem formação nas fábricas dos produtos, que os seus patrões vendiam


O país consumia uma grande parte dos seus recursos, nas guerras de Angola, Guiné e Moçambique


O Carlos tinha a perna esquerda, abaixo do joelho, esmagada, transferiram-no para o Hospital Militar, em Lisboa, onde lhe amputaram a perna, abaixo do joelho


Os pais foram informados de que o filho tinha sido ferido em combate, mas que estava livre de perigo e internado no anexo do Hospital Militar, em Lisboa


A Miquelina não foi informada, porque o nome dela não constava na informação, pedida a cada militar, para indicar quem queria que fosse informado, caso acontecesse algum problema grave


Estava desesperada, já tinha passado mais de um mês, e ele não dizia nada:” teria morrido, estaria ferido, como é que poderia saber?”


Já tinha pensado em pedir-lhe os nomes dos pais, a sua morada, o seu contato. Mas esperava que fosse ele a tomar essa iniciativa, porque os acidentes acontecem, mas não queremos falar neles, com medo, porque somos surpersticiosos


Os pais aconselharam-na a telefonar para o Quartel-General. Quem a atendeu disse-lhe que era muito difícil ajudá-la, porque o nome dela não constava no documento que  foi apresentado ao Carlos, para escrever quem é que queria que fosse informado


Mas, a Miquelina não se deu por vencida, contou a quem estava do outro lado do telefone, o que tinha acontecido: que era namorada dele, que tinha ficado grávida dele na véspera do embarque, que tinha um filho dele quase com dois anos, e tinha cartas onde ele dizia que aperfilharia o filho


Aconselharam-na a ir ao Quartel-General, com as cartas, para ver se conseguiriam ajudá-la.


Continua


 


 


 


 


 

Comentários

  1. Não foram tempos fáceis, não senhor.

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    1. É bom que saibamos que as guerras nunca trazem coisas boas.
      Boa semana!

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  2. Grata por mais esta partilha, José! :))
    Dia Feliz!

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  3. Sabe que a colónia de férias da CUF me faz lembrar o início da vida profissional da minha Mãe, bem com as escadinhas na pedra até ao areal da Praia das Maçãs...
    Um abraço

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    1. As colónias de férias proporcionaram bons momentos a muitas crianças.
      Boa semana!
      Um abraço.

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  4. Bom dia, José.
    Tantas recordações através da sua escrita, quase palpáveis.
    O Liceu em Luanda, Salvador Correia de Sá e Benevides, no alto da Maianga, onde chegávamos em grupos ruidosos de rapazes e raparigas, ...até à porta, que lá chegados mudava tudo.
    Vá, meninos e meninas, respeitinho como Nosso Jesus quer. Meninas para a direita lá para cima, rapazes para a esquerda cá para baixo.
    Que vida a nossa. Que vida.
    É um prazer lê-lo. Aguardo ansioso a continuação.
    Grande abraço, amigo.

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    1. Grato pelas suas amáveis palavras!
      Desejo-lhe uma boa semana!
      Um grande abraço, amigo.

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  5. Retratos de um país dos anos 60
    Ainda tenho uma vaga ideia de tudo isto José

    Beijinhos
    Feliz Dia

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    1. Felizmente, o país mudou muito! Mas, poderia estar muito melhor, se não fosse a corrupção e outras maleitas.

      Feliz resto de dia, Luísa!
      Beijinhos.

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  6. A história está a sair muito bem. Baseia-se no seu conhecimento da realidade da guerra, certamente. Os meandros da narrativa estão a criar suspense. Parabéns e Saúde. Para si e melhoras para o Carlos!

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    1. Muito obrigado pelas encorajadoras palavras! O Carlos agradece a preocupação com a sua saúde.
      Boa semana!
      Um abraço.

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  7. A burocracia já se fazia sentir

    Bom dia pra vocês com alegria José.

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    1. Tem razão, João! A burocracia faz parte da nossa génese.

      Também vos desejo um bom dia com saúde e alegria.

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  8. Que horror!
    Coitada da Miquelina, naquela altura devia ser tão dificil.
    Agora as pessoas já ficam desesperadas ás vezes por horas sem saber nada, nem posso imaginar meses.

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    1. As comunicações mudaram muito! Antigamente, o telegrama era o mais rápido.

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