Amor & guerra (10)
Amor & guerra (10)
Com as bonitas palavras do Carlos, a Miquelina ficou muito feliz. Já só sonhava com o dia em que o Carlos saísse da tropa e fossem viver os três
Contava os meses, já não faltavam muitos. Em breve abraçaria o Carlos, e ele conheceria o filho
A Bárbara tinha posto ponto final aquela expetativa de namoro. Não queria voltar a precipitar-se, já bastava o que tinha acontecido com o Carlos, porque estava fragilizada com o desaparecimento dos pais
Mas, ao mesmo tempo estava tão feliz por ter uma filha, linda, único familiar, que esperava fosse uma grande companheira pela vida fora, sangue do seu sangue
Que pena não conseguir contatar com o Carlos, apresentar-lhe aquela linda filha, não saber se estava vivo ou morto, a incerteza moei mais que a morte, quem é que inventou a guerra?!
Tantos jovens, arrancados às suas famílias e terras, treinados à pressa, sem noção nem consciência do que iam fazer, alguns levados pela fé, de que iam defender a sua Pátria, sujeitos a grandes lavagens ao cérebro, ao ponto de os obrigarem a gritar que se fosse preciso matariam os próprios pais
Chegados ao terreno, entregavam-lhes uma arma, balas, granadas
Perdidos, num labirinto, sem um forte código de conduta, respondiam às atrocidades com atrocidades, ainda, maiores
O Carlos escreveu à namorada, dizendo que ia participar noutra grande operação, que poderia durar mais de um mês, que não se preocupasse, que assim que pudesse lhe voltaria a escrever
Mas ela ficou muito preocupada, sempre em operações, era preciso ter muita sorte, para sair, sempre, ileso
“ Tantas vezes o cântaro vai à fonte, até que um dia lá fica”
A Companhia do Januário deixou a Vila, com grande pena da população, que gostava muito do comandante, porque dava muita atenção aos seus problemas. Todos estavam de acordo de que ele fez tudo o que podia para melhorar as suas vidas.
A Bárbara estava esperançada que na nova Companhia viesse um militar, que se encantasse nela e ela nele. Era tão importante encontrar um companheiro, que partilhasse dos seus sonhos, do seu espirito de aventura, que gostasse da sua filha. Por fim dizia: “ Não estarei a pedir demais!”
Queria planear o futuro: vender a loja, ir para Luanda, Lisboa, ou Coimbra. Mas seria mais seguro se tivesse com quem partilhar essa aventura, quem a aconselhasse, quem a aprovasse
Queria tudo do melhor para a Sara: o melhor colégio, a melhor universidade, que para ela era a de Coimbra
Tinha um bom pé-de-meia, em escudos, num Banco, na Metrópole, que herdara dos pais
A Companhia, do Carlos, foi emboscada, com a picada minada e os guerrilheiros escondidos nas bermas da picada
Tiveram mais de uma dezena de mortos e muitos feridos. O Carlos ficou gravemente ferido, tendo sido evacuado de helicóptero para Luanda.
Continua
Quem disse que a vida era fácil?
ResponderExcluirA vida é cheia de obstáculos constantes.
ExcluirFeliz resto de dia!
Ó o Carlos... uma vítima de uma guerra obtusa.
ResponderExcluirBom dia.
Infelizmente, foram muitas as vítimas daquela guerra!
ExcluirUm resto de feliz dia!
Grata por mais esta partilha, José! :))
ResponderExcluirResto de dia Feliz!
Muito obrigado, Zé!
ExcluirBoa noite!
Para se entender o que é a guerra, é preciso ver( com olhos de ver) as suas consequências físicas e psicológicas...é preciso entender o que está para além dos relatos de guerra...bem empregues estes textos...:))) abraço
ResponderExcluirSem dúvida! Já passou quase meio século. São poucos os que conseguem
Excluirfalar do que passaram e fizeram.
Boa noite!
Um abraço.
Já estou a imaginar o próximo capítulo José
ResponderExcluirEstou a adorar
Beijinhos
Resto de Dia Feliz
Muito obrigado, Luísa!
ExcluirResto de noite Feliz!
Beijinhos
Como me revejo em tudo que leio.
ResponderExcluir- Ó corvo, pá! Não vejo nada.
- Não vês? E depois? Que interessa? Dispara na mesma que alguns matarás. Mata que é para isso que aqui estás Defende a Pátria, c@.
E do outro lado o imbecil.
Lutem gloriosos filhos. Honrem a Pátria que a Pátria vos contempla.
Morram mas mostrem ao mundo que a razão da nossa força é a força da nossa razão.
Ó imbecil. Eram só meninos.
UM grande Abraço
Grato pela visita.
ExcluirBoa noite!
Um abraço.
Grato pela visita!
ResponderExcluirFeliz resto de noite!
Há vidas muito difíceis.
ResponderExcluirGosto de te ler.
Grato pela tuas encorajadoras palavras!
ExcluirResto de noite feliz!
É o que acho de verdade.
ExcluirObrigada, resto de noite feliz também para ti
Muito obrigado!
ExcluirBoa sexta-feira!
Esperemos que o rapaz se safe. Muita Saúde. Feliz Primavera!
ResponderExcluirGrato pela visita e pelo desejo de que, o Carlos, se safe.
ExcluirTambém lhe desejo muita saúde e feliz Primavera!
Um abraço.
Mais um com o nome da amada tatuado a ficar em África??
ResponderExcluirEstava na moda: sangue, suor e lágrimas.
ExcluirBoa semana!
Pobre Carlos também. Espero que fique bem, afinal de contas ainda tem os filhos para conhecer.
ResponderExcluirTem um filho e uma filha e não os conhece!
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