Vidas (18)
Vidas (18)
Continuação
Mas, neste caso, o príncipe exagerou, dizendo que tinha mundos e fundos, e a princesa, em vez de desconfiar de tanta fartura, acreditou que aquele tesouro estava guardado para ela
Confrontada com a realidade, não desanimou, abraçou a sua sorte, pautando a sua vida pelo trabalho e dignidade. Tiveram duas Princesas. No primeiro Carnaval, de casada, desafiou o José, para se mascararem, e por um dia afastarem as tristezas e agruras da vida, comemorando o dia com fantasia e alegria, trocando as roupas: ela vestiu-se de homem e ele de mulher
Quando o patrão casou, o José teve de deixar de dormir no local de trabalho, porque, para além do quarto de casal, só havia outro, muito pequeno, para onde foi dormir o irmão dele
Valeu-lhe o sótão existente no cimo do prédio, onde já dormia o cunhado, da prima dele, que trabalhava numa oficina auto, para aprender a profissão de mecânico. Tinha uma janela para as traseiras, só se viam os telhados, o vão da janela era o único sítio onde se podiam pôr de pé. O espaço onde dormiam tinha um metro e pouco de altura
Era muito frio, no inverno, e muito quente no verão, porque as telhas estavam assentes nas travessas de madeira, sem qualquer isolamento
O patrão, do José, costumava, pelo Natal, oferecer garrafas do vinho do Porto, aos clientes. Num inverno de muito frio, aproveitaram as caixas de cartão para forrarem o sótão, tornando-o mais quente
Mas, passados uns tempos, começaram a aparecer percevejos, tentaram matá-los com um pó, não deu resultado. Tiveram de arrancar todo o cartão e fazer uma desinfestação com creolina
O José, assim que soube fazer os tapetes, aproveitou os domingos para trabalhar, por cada tapete recebia quinze escudos. Num domingo de agosto, em que toda gente foi para a praia, conseguiu fazer quatro tapetes, foi como se tivesse ganho uma fortuna
O patrão alugou um andar, noutro prédio, para onde o casal foi dormir, uma vez que estava à espera da primeira bebé, ficando o local, onde faziam os tapetes, disponível para aumentar a produção, com mais horas de trabalho e mais pessoal
O irmão mais novo, do patrão, também deixou o Alentejo, para se juntar aos outros dois, fazendo com que a irmandade se tenha juntado, depois de anos em que cada um andou para seu lado
Lisboa exercia uma grande atração, principalmente para os jovens da província, que não viam qualquer saída profissional, para o seu futuro, nas suas terras. O irmão e a irmã do José, assim que fizeram a quarta classe, também foram para Lisboa. Mais, tarde o irmão mais novo e a irmã mais nova, quinze e dezasseis anos mais novos, respetivamente, também foram, com os pais, para os arredores de Lisboa
O irmão, da patroa, pediu a transferência das Finanças de Tondela, para o Ministério das Finanças. Passou, também, a ir fazer, nas horas vagas, tapetes para aumentar o rendimento mensal, e poder pagar a renda da casa, na Amadora, para onde tinha ido viver com a mulher
O José já lhe tinha dito que queria ir estudar, mas nunca mais se decidia, parecia não estar com muita vontade, nem muita pressa em voltar a não ter nenhum tempo de descanso, porque trabalhar
oitos horas por dia, com aulas das 20 às 24 horas, cinco dias por semana, não era muito agradável, nem tempo tinha para namorar
Mas, numa bela tarde, o cunhado do patrão, mal entrou na sala, e depois de os cumprimentar, voltou-se para o José e disse: “ andas a dizer que queres estudar, já sabes que não te livras da tropa, queres ir como soldado ou como sargento? Tens dois anos para fazeres o primeiro ciclo liceal, para ires como sargento”
Aquelas palavras mexeram tanto com ele, que ao fim do dia, quando acabou o trabalho, pegou na lista telefónica das páginas amarelas (o melhor motor de busca, daqueles tempos) e escolheu uma escola para ir estudar à noite. Na abertura do ano letivo, matriculou-se na Escola Académica, que admitia alunos internos e externos, no Largo Conde de Barão, perto de onde ele vivia, enquanto a anterior ficava na Praça da Figueira, e era para quem queria fazer a quarta classe
Como o dinheiro não era muito, aquando da apresentação dos professores, perguntou a alguns colegas onde iam comprar os livros. Informaram-no de que poderia comprá-los, no alfarrabista da Calçada do Carmo, que comprava e vendia livros usados
Na época de exames, inscreveu-se para fazer o primeiro ciclo liceal, no Liceu Passos Manuel, que fica perto de onde residia. Reprovou. Para além de serem dois anos num, já estava muito esquecido do que aprendera na instrução primária.
Continua
Os meus pais também tiveram um início de vida deste género. Em Lisboa a fazer equilíbrismo...
ResponderExcluirÉ a sina dos pobres, fazerem muitos sacrifícios, para conseguirem governar a vida!
ExcluirFeliz resto de dia!
Mais um precioso retalho da sua Vida...
ResponderExcluirMuito Grata pela partilha, José! :))
Dia Feliz!
Cuide-se!
Muito obrigado, pelas suas encorajadoras palavras e bons conselhos!
ExcluirResto de dia feliz!
A vida do José está interessantíssima. Oxalá o negócio dos tapetes vá para a frente.
ResponderExcluirGosto muito.
Uma boa semana, caro amigo!
Muito obrigado, pelo interesse e pelas encorajadoras palavras.
ExcluirTambém lhe desejo um resto de uma boa semana, caro amigo!
Adoro estas suas histórias, deviam estar todas juntas num livro obrigada por todas estas partilhas connosco, este espaço fica bem mais rico! Muitos beijinhos, querido José, e um dia lindo para ti, amigo!
ResponderExcluirMuito obrigado, pelas tuas bonitas e encorajadoras palavras!
ExcluirResto de dia feliz!
Beijinhos
Vidas, cada um com a sua e este José não teve fácil. 😉 Um abraço
ResponderExcluirÉ bem verdade, João! Cada um com os seus problemas.
ExcluirBom resto de dia.
Um abraço
Estupendo, dava um livro!
ResponderExcluirMuito obrigado, pelas encorajadoras palavras!
ExcluirBoa tarde!
A vida do José está a "encantar-me"
ResponderExcluirAdoro
Beijinhos José
Dia Feliz
Muito obrigado, pelas tuas bonitas palavras!
ExcluirBoa tarde, Luísa!
Beijinhos
O retrato de muitas família deste país..na minha própria família, pelo que oiço, também souberam fazer uma boa ginástica.
ResponderExcluirSó não se chamam Cardinalli mas ...
Bom resto semana.
Foram mesmo muitas famílias, que tiveram de fazer muita ginástica!
ExcluirBom resto de dia!
Belas lições de vida José...:))) abraço
ResponderExcluirNão serão lições! São, apenas, factos de uma vida, como tantas outras, dura!
ExcluirBom resto de dia!
Um abraço
Outros tempos, mas um realidade para muitos que saíram das suas aldeia para ter uma vida melhor na cidade...
ResponderExcluirA cidade era o grande sonho!
ExcluirBoa noite!
Histórias de gente a sério... como gosto de as ler!
ResponderExcluirGrato pelas encorajadoras palavras!
ExcluirFeliz noite!
boa tarde, José beijinhos e feliz tarde
ResponderExcluirMuito obrigado!
ExcluirTambém te desejo um bom resto de dia, Ana!
Beijinhos
Estou a gostar muito de ler sobre a coragem e determinação do José.
ResponderExcluirGrandes mudanças estão a acontecer.
Continua presa a esta bonita história.
Noite feliz
Beijinhos
Estou muito grato, pelas amáveis e encorajadoras palavras.
ExcluirResto de noite feliz!
Beijinhos
Felicitamos a persistência do José, naqueles tempos difíceis, anos sessenta, não? Atualmente, também damos os parabéns ao José, por relatar esses acontecimentos da sua Vida. Votos de muita saúde.
ResponderExcluirMuito obrigado, pelas sus amáveis palavras. Sim, foi para Lisboa em 1958.
ExcluirBoa noite e muita saúde.
A aventura da vida da vida José
ResponderExcluirBom fim de Semana
com alegria
também pra este bom dia.
A vida é uma grande aventura.
ExcluirUm bom resto de dia e bom fim-de-semana para vocês!
Renovo os parabéns, José. Está muito, muito bom!
ResponderExcluirUm excelente fim de semana.
Abraço.
Grato, pelas encorajadoras palavras!
ExcluirTambém lhe desejo um excelente fim-de-semana!
Um abraço
Adorando José.
ResponderExcluirApesar de ter reprovado, acredito que ainda vai ter um futuro muito risonho
Bom fim de semana
Grato, pelas amáveis palavras!
ExcluirBom fim-de-semana!
Há que tentar. se não se tentar nunca se saberá.
ResponderExcluirSem dúvida, se não tentarmos nunca saberemos.
ExcluirBoa semana!
Awwww. As memórias escorrem-me ao ler-te. Sabes lá tu a quantidade de livros que comprei no alfarrabista da Calçada do Carmo e as garotas que cortejei à porta do Passos Manuel. Patife, Chiado District. ;)
ResponderExcluirCom que então, também eras cliente do alfarrabista da Calçada do Carmo! Isso é que foi sorte, as garotas esperarem-te à porta do Passos Manuel !
ExcluirBoa noite.
Gosto muito do que escreves.
ResponderExcluirGrato pelas amáveis palavras!
ExcluirBoa noite!
Está cada vez melhor! Continue que cá esperamos o livro
ResponderExcluirBom fim de semana!