Vidas (17)
Vidas
Continuação (17)
Aproveitou um dia em que foi levar as compras à freguesa, que morava no Largo de Camões. Telefonou-lhe duma cabine telefónica, para lhe dizer que aceitava as condições, e combinaram que começaria a trabalhar mo início do mês seguinte
Estava com pena de deixar aquela família, com quem conviveu quatro anos, e daquele trabalho, que muito gostava, com exceção do horário de trabalho. Mas, não podia perder a oportunidade de ter um trabalho, que lhe permitisse continuar estudar
Tinha receio do salto para o desconhecido. Seria um trabalho diferente, com menos contacto com os clientes, ainda que o futuro patrão lhe tenha dito que iria entregar os tapetes aos stands e também depositar os cheques nos Bancos. E, como seria a aprendizagem para fazer os tapetes?
Não sabia como dizer ao patrão que se ia embora, como seria a sua reação. Assim, foi pensando no que diria. Quando entrou no estabelecimento, só conseguiu dizer, que no fim do mês se ia embora
O patrão, apanhado de surpresa, voltou à velha conversa, que agora é que ia abrir um estabelecimento, para ele tomar conta. O José disse-lhe que sairia no fim do mês, que ia ganhar mais, teria um horário de 48 semanais, permitindo-lhe que estudasse
Aquele mês nunca mais acabava. Mesmo que não tenha sentido qualquer hostilidade, já não se sentia com o mesmo à vontade, porque em breve ia deixa-los, não sabendo o que pensariam da sua partida
No dia seguinte começou a informar as criadas, com quem mantinha uma cordial convivência. Quase todas compreenderam a sua decisão, desejando-lhe boa sorte. Mas houve uma que ficou muito triste, era dos arredores de Mangualde, porque gostava dele, mesmo sendo um ano mais velha
O Senhor, que tinha estado no Brasil, é que não gostou nada da sua decisão. Numa tarde em que estavam sozinhos, chamou-lhe à atenção, que por causa de atitudes como a dele, é que o país nunca progrediria, porque tinha passado quatro anos a aprender a ser caixeiro e, agora, ia aprender outro ofício, e assim continuamente, sem nunca produzir o que devia, por andar sempre a saltitar deu lado para o outro
Todos faziam, o mesmo, quando estavam aptos a desempenhar a função, para a qual tinham passado vários anos a aprender, abandonavam o posto de trabalho sem, das consequências, querem saber
Era por isso que o país não conseguia alimentar todos os seus filhos, fazendo com que tivessem de ir a salto, para os outros países, como estava acontecer com os que todos os dias pagavam fortunas aos passadores, para abandonarem o país
O José ainda tentou justificar-se, dizendo que queria estudar. Mas, ele não aceitou a justificação, dizendo-lhe que para ser caixeiro não precisava de estudar mais, e que ainda-por-cima tinha a sorte de fazer o que gostava. Por que razão deixava um futuro, que poderia ser brilhante, para ir aprender outra coisa, que se calhar nem futuro tinha?
Entretanto, o tão desejado fim do mês chegou, e o José mudou-se para a Rua da Paz, para um primeiro andar com vista para a Rua dos Poiais de São Bento
Começou a aprender a fazer os tapetes para os automóveis. Entregaram-lhe uma tesoura grande e uma agulha com um cabo de madeira. Havia moldes, em papel, para as diversas marcas e modelos, que colocavam no verso da peça de cairo, para marcar por onde tinham de cortar, para que os pedais do travão, da embraiagem e acelerador ficassem livres, a funcionar
Antes de procederem ao corte, tinham de coser por onde iriam cortar, para que a peça não se desfizesse. Era fácil de aprender, o mais difícil era tirar o molde, no carro, trabalho de que se encarregava o patrão
O José, ao fim de dois anos de estar nos tapetes, foi a uma oficina, em Setúbal, tirar o molde a um carro, raro. Estava com receio que não ficasse perfeito. Mas felizmente, não houve reclamação
Era um prédio muito antigo, originalmente não tinha casas de banho, tinha uma pia ao lado do-lava loiça. Quando o patrão do José, e a prima dele foram para lá viver, ele no primeiro andar, e ela no quarto andar, já tinha casas de banho. Aquele primeiro andar estava cheio de peças de cairo, a exceção era a casa de banho. José e o irmão mais velho do patrão dormiam na sala, no local onde trabalhavam. À noite arrumavam as mesas onde trabalhavam, estendiam um bocado duma peça, no chão, a servir de colchão, e estava a cama feita
No princípio, o patrão passava a maior parte do tempo a viajar pelo país, visitando stands, angariando clientes. Conheceu uma senhora em Tondela, que como tantas outras, “presas” no interior do país, sonhava com o príncipe, que a tirasse daquela vida sem futuro, sem uma profissão, na dependência dos pais, em que a única tábua de salvação era arranjar um marido, para concretizar o sonho de ter filhos: uma família
Continua
Como foi e como é...
ResponderExcluirEu é que teria ficado em Tondela...
Um bom dia e uma boa semana.
Ao longo dos tempos, tudo vai mudando. Lisboa exercia uma grande atração sobre o resto do país, fazendo com que quisessem vir para a capital.
ExcluirTambém lhe desejo um bom dia e uma boa semana.
Eu que não vejo novelas, estou completamente viciada nesta.
ResponderExcluirBoa semana José.
As tuas palavras fazem-me querer fazer melhor!
ExcluirBoa semana, Isabel!
Olhe, José, eu também estou a gostar muito desta sua "Novela da Vida Real"!
ResponderExcluirContinuação de boa saúde.
Fico muito contente por estar a gostar.
ExcluirTambém lhe desejo muita e boa saúde.
O José sempre a querer melhorar de vida e a estudar
ResponderExcluirMuito bem ... estou a gostar imenso do teu José
Beijinhos José
Feliz Dia
Fico muito contente por estares a gostar dessa personagem!
ExcluirÉ a luta que todos travamos, para melhorar a vida.
Feliz dia, Luísa!
Beijinhos
Ainda me lembro quando entrei na casa da tia de um amigo ao Alto do Pina e a sanita era ao lado do lava-louça...outros tempos que esta história faz relembrar.
ResponderExcluirCoisas que, hoje, nos parecem quase inconcebíveis! Ainda bem que as coisas melhoraram muito.
ExcluirUm abraço,
Grata por mais esta generosa partilha, José! :))
ResponderExcluirBoa noite!
Eu é que lhe agradeço, Zé!
ExcluirBoa noite!
Há sempre quem nunca queira que as pessoas evoluam... estudar ou tentar melhor salário não devem ser desencorajados.
ResponderExcluirBoa semana
Tem toda a razão! Infelizmente, ainda, há que não queira ver os outros bem. Mas como muito bem diz, não devemos desencorajar ninguém que queira melhorar o salário. Pelo contrário, devemos encoraja-los.
ExcluirBoa noite!
Tempos de simplicidade e uma enorme vontade de ser feliz :-)
ResponderExcluirBoa semana!
Sem dúvida! O que mais queremos é ser felizes.
ExcluirBoa noite!
Fico fascinada com a evolução dos acontecimentos, e mudar, quando a ocasião surge, é preciso! Gostei bastante, sabe sempre bem acompanhar estas reviravoltas! Muitos beijinhos, querido José,e um dia lindo para ti!
ResponderExcluirMuito obrigado, por acompanhares com interesse.
ExcluirBoa noite, Sandra!
Beijinhos
Estou a gostar muito de ler estas mudanças.
ResponderExcluirBeijinhos José
Muito obrigado por estar a gostar!
ExcluirBoa noite, Manu!
Beijinhos
Coisa moderna na época José
ResponderExcluirBoa Semana com alegria pra vocês.
Todas as épocas têm as suas modernices.
ExcluirTambém vos desejamos uma boa semana!
Mergulhar no desconhecido assusta.
ResponderExcluirMas seguir o coração e aquilo que o preenche compensa. Dizem. E eu acredito
Tem toda a razão, devemos seguir o coração.
ExcluirBoa noite!
Boa noite!
ExcluirFeliz dia.
ExcluirDia feliz!
ExcluirMuito obrigado!
ExcluirTambém lhe desejo um resto de dia feliz!
Pode tratar-me por tu
ExcluirAinda bem, que nos podemos tratar por tu, porque gosto que me tratem por tu.
ExcluirDesejo-te um bom resto de dia.
E eu também. Fica combinado então!
ExcluirObrigado e um resto de dia feliz
Combinado! Tem um resto de dia feliz!
ExcluirUma vez mais, belo texto, meu caro. Um abraço 🤗
ResponderExcluirMuito obrigado, pelas encorajadoras palavras!
ExcluirBoa tarde, João!
Um abraço
Telefonou-lhe duma cabine telefónica... creio que nos dias de hoje já não existem. Outros tempos como a história de prédios sem casa d banho.
ResponderExcluirUm salto para o desconhecido, ou para o futuro?
Tempos tão diferentes! Foi um salto para o dois, porque o futuro também é o desconhecido.
ExcluirBoa noite!
O José fez o correto, nunca devemos ficar em algo que não nos completa apesar de o sabermos fazer bem.
ResponderExcluirSe há oportunidades de crescimentos, devemos sempre ir atrás de novas oportunidade.
Tem toda a razão! Devemos querer ir mais além.
ExcluirBom fim-de-semana!