Vidas (16)
Vidas
Continuação (16)
AS mulheres, naquele tempo, não tinham muitas hipóteses de emprego. O habitual era ficarem em casa, a tomarem conta do filho, ou na redoma de vidro, à espera do marido, levar os filhos ao colégio, jogar à canasta com as amigas.
As freguesas diárias a quem, todos os dias, ia perguntar o que necessitavam, porque não havia onde os alimentos conservar, quase todas tinham criadas: uma, duas, três ou mais
Tudo dependia do estatuto social, ou do agregado familiar. Os casais que tinham três, quatro ou mais filhos, e possibilidades, tinham pelo menos três criadas: a cozinheira, a criada de fora e a dos meninos
Como não havia eletrodomésticos, tudo era feito manualmente! A lavagem da roupa ficava a cargo das lavadeiras de Caneças, que semanalmente traziam a trouxa lavada e levavam a suja
As que trabalhavam fora de casa, para além das vendedeiras, porteiras: classe baixa, eram as enfermeiras, as hospedeiras de bordo, as professoras
Os homens tinham de assegurar o rendimento para o lar. Quem não conseguia pagar uma renda de casa, tentava arranjar outro casal para a ajudar a pagar ( parte de casa), e casais havia, que alugavam um quarto, fazendo com que três casais vivessem numa casa: a dona da casa e mais dois casais, com direito a serventia da cozinha e casa de banho (uma)
Foram estas condições de habitação, que fizeram com que os prédios, que nasceram como cogumelos, à volta da cidade, principalmente ao longo da linha férrea de Sintra, parecessem um paraíso
Ter ou alugar uma casa foi o que fez com que os mais pobres tenham sido empurrados para fora da cidade. Primeiro foi para a Amadora, depois toda a linha de Sintra, e ultimamente, muitos, dos que vivem no litoral Oeste, vão todos os dias trabalhar para Lisboa. Um país amontoado no litoral e deserto no interior
Um conterrâneo, do José, foi, para Lisboa, trabalhar para uma fábrica de tapetes para automóveis. Ao fim de alguns meses decidiu ir trabalhar por conta dele. Alugou umas águas furtadas, comprou dois rolos de tecido em cairo, para tapetes, um para fazer o tapete da frente e outro o de trás. Durante o dia visitava os standes, para angaria encomendas, de noite fazias, e no dia seguinte ia entrega-las. Naquele tempo, o automóvel era uma preciosidade, por isso era preciso estimá-lo. Assim, vendiam-se muitos tapetes, em cairo, para protege-los.
Devido ao crescimento do negócio, alugou um primeiro andar na rua da paz. Convidou o irmão mais velho, que trabalhava nas obras, depois de ter vindo de Macau, para onde tinha pedido para ir cumprir o Serviço Militar, como maqueiro, com a intenção de ficar por lá. Mas chegou à conclusão que não podia competir com os chineses
Como o negócio continuava a crescer, disse ao José se queria ir trabalhar para ele. José tinha a oportunidade de ter um horário de trabalho de 48 horas semanais. Pela primeira vez ia ter um dia de folga: o domingo
Ainda podia fazer horas extraordinárias, pagas à peça, receberia uma importância, a combinar, por cada tapete e uma mensalidade superior ao que estava a ganhar. O José ficou de lhe dar uma resposta.
Continua
Uma boa incursão ao passado
ResponderExcluirque se lê
com agrado José
Bom dia com alegria
chove
mas será mais um dia
de primavera
com alegria, e humor
Muito obrigado, pela sua matinal boa disposição, João! A primavera está quase a chegar, para nos dar perfume e bom ar.
ExcluirFeliz resto de dia para vocês!
O tempo das "partes de casa"...curiosamente agora está a voltar...há muita gente a alugar quartos e partes de casa...:))) abraço
ResponderExcluirSinais de que os tempos estão negros.
ExcluirUm abraço,
As professoras primárias não podiam casar...
ResponderExcluirOs prédios (como se vê bem na zona de Alvalade, apesar de tudo recente) não tinham garagem, porque ninguém tinha carro.
As Brandoas foram surgindo sem condições básicas....
E agora queremos crer que as coisas vão para melhor. Oxalá.
Gostei muito. Um bom dia
Nem as professoras primárias, nem as hospedeiras de bordo...
ExcluirA Brandoa era uma quinta. No início, as construções, eram iniciadas à sexta-feira, para que segunda-feira já tivessem o telhado, o que fazia com que não fossem demolidas.
Agradeço as encorajadoras palavras. Feliz resto de dia.
Que relato intenso do que foi um passado. Muito tocante!
ResponderExcluirHoje em dia já se começam a partilhar casas, a alugar quartos de novo para se poder gerir melhor as contas.
Graças a deus, que as mulheres hoje em dia já podem trabalhar livremente.
Mas não sei, continuo a achar que nos outros tempos, havia outro encanto.
Continuação de um dia lindo José
Os tempos voltam a estar difíceis. Por isso, o aluguer de quartos e partes de casa. Os inquilinos estavam protegidos, não podiam ser postos fora, desde que pagassem a renda até ao dia 8, e se o senhorio recusasse, o inquilino podia depositar a renda na CGD.
ExcluirA vida era diferente, não havia a correria, a pressão e concorrência, de hoje.
Feliz resto de dia!
E qual vai ser a resposta, José?!
ResponderExcluirEssa sua maneira de contar!
Muita saúde, para prosseguir com as suas narrativas.
Em breve saberemos.
ExcluirTambém lhe desejo muita saúde, para nos continuar a surpreender com os seus excelentes posts.
Melhorias à vista...
ResponderExcluirSem dúvida, conquistadas a pulso!
ExcluirAs coisas estão a melhorar para o José
ResponderExcluirBeijinhos José
Feliz Dia
Já não era sem tempo!
ExcluirBoa noite!
Beijinhos, Luísa,
Que tempos
ResponderExcluirMuito duros!
ExcluirBoa noite!
Grata por mais esta (tão) genuína partilha, José! :))
ResponderExcluirBoa noite!
Muito obrigado, pelo interesse demonstrado!
ExcluirBoa noite!
Tempos de mudanças, novas oportunidades, um mundo que se está a transformar, mas que, no tempo que estamos a viver, começam a haver situações idênticas.
ResponderExcluirEspero que a vida melhore para o José.
Beijinhos
É verdade, tempos difíceis estão a voltar, esta pandemia tudo está a arrasar.
ExcluirBoa noite, Manu!
Beijinhos
Irá aceitar a proposta de emprego?
ResponderExcluirContinua a concentração populacional no litoral...
Óptima sexta-feira.
Em breve saberemos se aceitará a proposta de novo emprego.
ExcluirBom fim-de-semana.
Tempos difíceis, de mudanças e que vemos agora voltarem...mau sinal.
ResponderExcluirE a expectativa...qual vai ser a resposta?
Bom fim semana.
Infelizmente, voltamos a ver tempos difíceis, que não auguram nada de bom.
ExcluirQuanto à expetativa, em breve saberemos a resposta.
Feliz fim-de-semana!
Bom fim de Semana para vocês
ResponderExcluircom alegria José '_'`)
També vos desejamos um bom fim-de-semana, com saúde e alegria, João!
ExcluirÉ incrível, sinto-me sempre a viajar por estas tuas partilhas! E é muito enriquecedor ver as diferenças entre o hoje e esses dias de então! Obrigada, de coração! Muitos beijinhos, querido amigo, lindo fim de semana para ti e quem mais estimares
ResponderExcluirE, o que ei de dizer, quando leio os teus textos: viajo, voo, rio e canto......
ExcluirFeliz resto de fim-de-semana!
Beijinhos, Sandra.
Ao ler este texto revi tempos passados através de familiares e comparados com o presente verifico que houve mudanças positivas e outras menos positivas... mas a vida é mesmo assim uma constante mudança.
ResponderExcluirVamos aguardar pela a continuação.
Sábado Feliz!
E como diz, a vida é uma constante mudança. Grato pela visita!
ExcluirFeliz resto de fim-de-semana!
Vidas reais de outros tempos. De tempos em que até os apartamentos nas zonas novas e finas de Lisboa como Benfica ou Lumiar tinham quarto para a empregada.
ResponderExcluirSem dúvida! Tempos em muitas famílias tinham criadas.
ExcluirBom domingo!