Vidas (15)
Vidas
Continuação (15)
Na sequência da inspeção ao horário de trabalho, o patrão teve de o inscrever na Caixa de Previdência dos Empregados do Comércio. Assim, o José teve de tirar o Bilhete de Identidade e o Cartão de Sanidade, obrigatório para quem trabalhava no ramo alimentar
O Mundo estava, como sempre, “ a pular e a avançar”. Depois da televisão, veio a esferográfica, que para muitos pode parecer uma coisa banal. Mas, no dia em que o Diário do Governo publicou que com a esferográfica se podiam assinar escrituras e cheques, um senhor entrou no estabelecimento, com uma esferográfica na mão e o Diário do Governo debaixo do braço, e perguntou:” já sabem que se podem assinar cheques e escrituras com uma esferográfica? Foi publicado hoje no Diário do Governo, acabou-se o reinado da caneta de tinta permanente e do mata-borrão”
Duas inaugurações importante no ano de 1959. Inauguração do Santuário Nacional de Cristo Rei, em 17 de Maio de 1959. Um mar de gente invadiu a baixa de Lisboa, em direção ao rio. Durante muitas horas, os cacilheiros não pararam, para levarem a multidão para o outro lado do rio, pela noite dentro
Inauguração, do Metropolitano de Lisboa, para o público, em 30 de Dezembro de 1959, com três carruagens, parecia um comboio de brincar. Algumas pessoas, depois da primeira viagem, disseram que tinha dificuldades em respirar
Não podiam faltar as anedotas acerca do acontecimento! Uma delas era ser necessário um padre e um polícia para se poder andar de Metro. A coroa do padre e o escudo do polícia, porque o bilhete custava um escudo e cinquenta
O primeiro self-service e o snack-bar também causaram alguma celeuma, modernices que dividiram os alfacinhas, uns não deixaram de criticar, outros aplaudiram
Um Senhor, que tinha estado muito tempo no Brasil, passavam muitas tardes, no estabelecimento. Vivia sozinho, era uma maneira de espantar a solidão. Conversavam muito, quando estavam sozinhos, dizia-lhe que já estava apto a tomar conta duma loja, coisa que o patrão já lhe tinha prometido
Ao fim de dois anos, cheio de saudades dos pais e dos irmãos, pediu uns dias de férias e foi visitá-los. Quando regressou, esse Senhor disse-lhe que o patrão estava com receio que ele não voltasse para o Lugar de frutas e Hortaliças
O patrão continuou a prometer-lhe que abriria uma loja para ele tomar conta. O José gostava daquele espécie de namoro que havia com as freguesas e quem as atendia, aquele convívio de todos os dias
Todos os anos, em agosto, a patroa ia de férias, com os miúdos, para Vide-Entre-Vinhas, Celorico da Beira. Iam levá-los a Santa Apolónia, onde apanhavam o comboio da Beira Alta. O mês de agosto era o mais fraco para o negócio, Lisboa ficava deserta, ia tudo a banhos, e eles ficavam com mais tempo para irem ver televisão
Os patrões foram a um casamento, e o José ficou a tomar conta do estabelecimento. Comprou e vendeu, tudo correu bem. O senhor, que passava as tardes com eles, disse-lhe que estava apto a tomar conta duma loja
Os patrões do José eram boas pessoas. Tinham uma freguesa, originária de Angola, que tinha sido trazida, para Portugal, pelos seus patrões, mas que naquela altura vivia sozinha e quase cega.
Saía pouco de casa. O patrão do José, de vez em quando, escolhia a fruta mais madura, aquela que os olhos já não gostam de comer, e pedia-lhe para ir visita-la e levar-lhe a fruta
Todos se sentiam um pouco mais felizes, uns porque davam, e ela por ver que não se esqueciam da sua solidão. Ficavam horas a conversar, falavam de Angola, do Alentejo, de vidas duras, da pobreza, da beleza, e de como, um e outro foram arrancados da sua miséria. O José tinha pena de voltar a deixá-la sozinha, sentia o calor das suas mãos nas dele, via naqueles olhos que não viam uma imensa alegria.
Continua
Pormenores
ResponderExcluirque dão gosto ler José
Bom dia com alegria
que o Sol
já nos faz companhia. Boa Semana pra vocês.
Bom dia , João!
ExcluirO sol brilha, mas o frio arrepia.
Uma boa semana para vocês, com saúde e alegria.
Excelente.
ResponderExcluirLembro um vendedor ambulante de linhas e agulhas, miudezas, na Av. EUA que dizia sempre "ao sábado não estamos abertos"...
Uma boa semana.
Muito obrigado!
ExcluirEsse mantinha a clientela bem informada.
Também lhe desejo uma boa semana.
Grandes mudanças aconteceram.
ResponderExcluirGostei de saber da esferográfica, que hoje utilizamos tão banalmente, esquecendo da época do aparo e mata- borrão.
Gostei muito desta partilha
Grata José
Boa semana.
Beijinhos
Foi uma boa invenção!
ExcluirBoa noite, Manu!
Beijinhos
Estou a acompanhar com muito entusiasmo e a aprender muitas coisas. Que bela lembrança o uso esferográfica, hoje banal e passou a corriqueira com o teclado dos telemóveis e computadores... mas para a altura foi uma conquista.
ResponderExcluirBoa semana
Foi uma grande invenção!
ExcluirBoa noite!
Oh ... que bonito José
ResponderExcluirBeijinhos
Feliz Dia
Muito obrigado!
ExcluirBoa noite, Luísa!
Beijinhos
Era a alegria de quem pouco mais possui que essa mesma alegria...:)))) abraço José
ResponderExcluirSem dúvida!
ExcluirUm abraço
Muito Grata por mais esta enriquecedora partilha, José! :))
ResponderExcluirDia Feliz!
Muito obrigado!
ExcluirBoa noite!
Tanto acontecimento maravilhoso que já nem sabia as corretas datas..
ResponderExcluirAntigamente as coisas tinham outro significado..
Foram anos de acontecimentos importantes.
ExcluirMemórias vívidas... *_*
ResponderExcluirObrigado pelas partilhas!
Eu é que agradeço a visita.
ExcluirBoa noite!
Tanta história boa...
ResponderExcluirHistória para os mais novos.
ExcluirFeliz noite!
Pois, José, seguimos com gosto este seu folhetim de "Vida(s)". Uns dias sem acesso à net, mas havendo essa possibilidade, volta-se a ler e a escrever. Formulo votos de muita Saúde!
ResponderExcluirgrato por seguir o folhetim.
ExcluirTambém lhe desejo muita Saúde!
Como as coisas eram tão diferentes! Mas parece-me que tinham outro significado, outra intensidade, que se perdeu. Gosto tanto de ler as tuas histórias obrigada! Muitos beijinhos, tem uma tarde linda!.
ResponderExcluirGrato pelas amáveis palavras!
ExcluirBoa noite!
Beijinhos